9.8.08

Depois do fim...

O fim das coisas

Pode o homem bruto, adstricto à ciência grave,
Arrancar, num triunfo surpreendente,
Das profundezas do Subconsciente
O milagre estupendo da aeronave!

Rasgue os broncos basaltos negros, cave,
Sôfrego, o solo sáxeo; e, na ânsia ardente
De perscrutar o íntimo do orbe, invente
A limpada aflogística de Davy!

Em vão! Contra o poder criador do Sonho
O Fim das Coisas mostra-se medonho
Como o desaguadouro atro de um rio ...

E quando, ao cabo do último milênio,
A humanidade vai pesar seu gênio
Encontra o mundo, que ela encheu, vazio!

Augusto dos Anjos


Inauguro neste instante o tempo de poesia; o tempo vago ao encontro das emoções puramente ingênuas. Todos são poetas; cada um com o seu peculiar estilo. É a exclamação do ego, do super-ego completamente extasiado de se entregar sem reservas. Abaixem as armas; estendem os braços abertos; peguem lápis e papel e deixem as idéias livres e apaixonadas; livremente apaixonadas.

Por fora, só verniz

Toda e qualquer cidade, estado ou país, é constituída por meio do Estado de direito democrático, quando for assim organizado sob o molde federativo ou unitarista, desde que tenha plena e ampla representatividade política. As leis, normas de condutas e a moral, por exemplo, são, aos poucos, acrescidas, revistas e respeitadas conforme for; além do grau de instrução social, o compromisso ético de cada cidadão. Ética é formada de maneira socio-cultural, portanto, lenta. Basicamente passa de geração-a-geração através do filtro enviesado da consciência humana - um constructo feito de vivência, de erudição e de genes favorecidos ao longo do tempo.
Da telinha para o já inexistente telhado de vidro de nossa representatividade, o deputado Hugo Leal vem acompanhado da Lei de deixar água na boca - a Lei 11.705/08, que tem por objetivo diminuir os acidentes provocados pela imprudência de dirigir depois de uns goles e outros contendo etanol. Pressão total é o lema dos órgãos opressores e ostensivos contra os citadinos de bem. Multa pesada, apreensão do veículo e perda da licença de dirigir. Pronto. Com essa forma extra de aumentar os salários pífios de nossos servidores públicos da Segurança, a meta há de ser alcançada. No entanto, hoje, num telejornal de alta audiência, expõe uma pessoa, a qual detém o título de pesquisadora, para lamentar-se da diminuição da queda de tais acidentes. Ora, não é necessário de metade dos títulos desse ser para podermos concluir que acidentes acontecem. São eventos, por definição, fortuitos e raros. Além de, também, não ser tão difícil de perceber em que se tratando de acidentes automobilísticos, ingesta de bebidas alcoólicas não é a única causa. Acidentes vão acontecer e, com isso, a avaliação da eficácia da adesão à lei é, de fato, mais complexa.
Será, que esse imediatismo baseado em causalidades diretas e rasas está associado a interesses políticos-eleitoreiros? Eleições a vista, oposição visando ao poder, situação querendo mais quatro anos, interesses e vontades confundindo-se e misturando-se; revelações escandalosas, propaganda legítima, ordenações de fatos, tudo, no final, para ajudar ao eleitor fazer a sua escolha. Se é certa, só o tempo dirá.

6.8.08

O Guaxinim no Éden

Guaxinim passou por aqui. Era um rato do tamanho de um cachorro. Era esperto feito os felinos. Agora, está morto. Extinto. Só existia um exemplar desde algumas décadas. Dizem que consegue viver mais que um cágado. Nossa! Foi como um sorrateiro; um forasteiro sem pai e sem mãe. Eis que surge a lenda urbana mais silvícola do que curupira; mais urbana do que homem-do-saco - Ele é o Guaxinim-Sorrateiro.
Uns vão jurar que viram. Outros afirmarem que nunca existiu. Porém, quem viu,viu; quem não teve a sorte, ficará com um eterno vazio de substância vital. As estórias são inúmeras acerca de um animal grotescamente garboso. Único. Dava cambalhota para trás, fazia enes peripécias, grunhia feito gente e até pensava! Pensava e pedia votos com a pata apontada na direção da assembléia. Era honesto nas suas mentiras. Roubava escondido, mas não fazia questão de eliminar as evidências, devido à impunidade das lendas. Quem iria desconfiar de um Guaxinim? Bizarramente elegante. Andava a passos curtos para ser discreto e com mãos abertas para apertarem as dos amigos - Sempre em campanha eleitoral.
Guaxinim era um só. Era o exemplo no grupo perdido na inocência da ignorância. Ganhava todos os pleitos. Maravilha, dizia ele! Quanto menos, melhor. Quanto mais luz, mais sombras. Sabia o que dizia. Desejava a manuteção do curral humano sob a égide da força dos contrastes; para um ganhar, o outro deve perder. Darwinismo social era a sua doutrina. E ele reinava, sozinho, sorrateiramente.
Agora, depois de morto e extinta a espécie, a lenda torna-se um mito. Imponente. Todos querem a sua lei. Todos querem o seu comando, com a humanidade vivendo em encontros e desencontros, numa falta total de sintonia com o mundo mais justo, mais digno e mais humano - a crença do invisível.

Um novo tempo....


Tendo em vista a diversidade de temas abordados em NOSSO BLOG... Isso mesmo ele ainda é nosso, mesmo que a figurinha mais presente nesse folhetim tenha sido o ilustríssimo Wilen que tem abordado com uma maestria ímpar os mais diversos temas.
Partindo disso achei por bem me ater àqueles temas que transitam entre o mito e a realidade e que optaram por denominar cultura popular.
Para dar inicio a essa nossa nova fase, adentrando por esse mundo outrora pouco falado e discutido nesse canal, iremos conversar, discutir e esclarecer sobre um tema que há muito vem chamando a atenção de muitos dos amigos leitores, conhecidos, amigos, colegas, familiares e tantos outros desta terra ou mesmo de terras alem mar.
Mas qual seria o tal tema, a dar início a essa nova fase? Ninguém ou nada? Mais ou menos que ele:

O Guaxinim Sorrateiro.


Para iniciarmos a sessão queremos interagir com nossos internautas (como diria qualquer locutores da Globo) e ver o que pensam sobre o tema. Para poder ajudá-los a ao menos vislumbrar parte do DOGMA que gira em torno do tal guaxinim, vamos discorrer um pouco sobre o mesmo.

A história do Guaxinim Sorrateiro nos remete aos primórdios da humanidade e vem resistindo aos intemperismos da vida, sendo transmitida de geração a geração. Essa cultura milenar tem sofrido adaptações, modificações mas mantendo sua essência, suas peculiaridades e principalmente sua EFICÁCIA... Dessa pequena descrição nos surgem inúmeras duvidas dentre as quais: o Guaxinim Sorrateiro - é um mito? Uma lenda urbana?
Eu já fui um Guaxinim? Esse é o novo brinquedo da Grow? Nossa, além de Guaxinim é sorrateiro??? ou apenas um estilo de vida...?

A partir do exposto, esperamos contribuições pra desvendar mais esse mistério que envolve os seres humanos

Guaxinim sorrateiro way's of life...?(to be continue...)


4.8.08

Tão longe de chegar e nem perto de algum lugar

Noite fria e sem qualquer detalhe especial. Chegada a um dos mais importante hospitais de emergência do Rio de Janeiro, onde são atendidos muitos daqueles que não podem ter outra opção. Saúde pública e de qualidade, eqüânime e universal a todos os cidadãos brasileiros, não passa de uma tão gelada madrugada de inverno. É fria. É distante dos ideais aspirativos constitucionais.
Logo na entrada, uma mudança: instalações novas, paredes pintadas e um esboço de organização. Que maravilha! A população agradece tanta dedicação e apoio às mais necessitados. De um lado, os famigerados carentes de serviços públicos; do outro, um exército de estudantes pronto para iniciarem a luta por experiência e interesses individuais e nada mais que escape do diâmetro da cicatriz umbilical. Os servidores públicos, empossados com dever e com sonhos, acordam cedo em suas agradáveis casas no seio familiar. Afinal, sonhar só se for dormindo embaixo de um quentinho edredrom. Enfim, um encontro de filhos órfãos de pais solteiros.
O que poderia ser diferente? Qual seria a melhor alternativa? Há muitas outras perguntas e propostas para tentar solucionar essa dificuldade de gerir questões de âmbito público e almejos pessoais. No que concerne a educação continuada de novos profissionais, a solução deverá passar pela séria competência de suas escolas de Ensino Superior junto ao Ministério da Educação. Forma-se na escola. Já os interesses concernentes à prestação de serviço, estará no compromisso tanto engajado quanto motivado daqueles que têm a imcumbência de zelar pelo bom funcionamento da máquina administrativa, que possui mecanismos logicamente engendrados. Como num veículo, em que todos os componentes ali presentes têm a sua função determinada, que, quando motivada, pertence adequadamente ao seu universo dinâmico natural. Cada membro ou instância deve sempre ser lembrados e tecnicamente geridos para garantir o dinamismo natural - paciente, atendimento, recuperação, pesquisa e arquivo.
Nunca se deve esquecer do simples, nem fazer dele o único caminho; no entanto, sempre ter em mente as finalidades do bem político e público alinhadas a um príncipio coerente de realização. Esse relato deveria ser um conto, singularíssimo em detalhes românticos, mas acabou o sentido fazendo-se crítico e a emoção entorpecida pelo frio da madrugada; em uma ferrari puxada por cavalos, longe de chegar a algum lugar perdido neste sonho.

29.7.08

pedras nos Telhados

A poucos meses das eleições, muito ainda se está longe do pleno exercício da democracia como um dia já sonhara alguém. Uns pensam que é pela afinidade; outros pela aparência; há ainda aqueles que fazem pela gratidão. E a máquina de perpetuar a miséria e essa, a ignorância, continua a funcionar.
O país de dimensões continentais possui 26 estados mais o distrito federal. Coerentemente, possui 27 partidos registrados no TSE. Tudo certo. Não! A idéia de dividir é antiga; remonta a tempos idos com finalidade de melhor dominar o oponente e garantir o intento. São bastantes nomes, denominações diferentes e outras nem tanto. Uns até se dividem, mas mantêm fortes alianças, quiça familiares. Dizia-se que cunhado não é parente; no entanto, netos são melhores que filhos e genros perfeitos. Tem-se de tudo. Pizza, Pitta, feudos, Sarney e ACM. Jardim de infância, garotinhos, bispos, castor, babu e francos. Esses são partes de um todo de conhecidos. E os notáveis anônimos? Vice-reis, vice-presidentes, vereadores (servem pra quê?), deputados e senadores não sei por quê?
Por isso, a partir de agora, conclamo as pedras em seus sonhos, para começarem um projeto: aprendendo e vivendo em um mundo melhor. Vamos pôr as informações daqueles que almejam representar os nossos anseios. Telhados do meu país, foi um prazer!
http://www3.tse.gov.br/sadEleicaoDivulgaCand2008/comuns/layout/framesetPrincipal.jsp?siglaUFSelecionada=RJ

Pedras não falam porque sonham

Numa quinta -feira, 27 de agosto de 1998, no Jornal O Globo, um sonho é contado. Sai do segredo de salas frias dos laboratórios para o mundo colorido e sentido aqui de fora. Um trem voador! Era a ânsia de um pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro em busca de melhores condições. Passados dez anos, eis a realidade:
O trem pode voar!
Ainda há pouco pude lembrar aquele menino do interior do Brasil quase colonial, que tivera também um sonho: " o homem pode voar". E de tantos dias e noites, sol e lua, Santos Dumont pôde levar o seu corpo além das nuvens, do espaço. O homem vive. Vive de sonhar. E quem disse que quero acordar?

25.7.08

“Se pensarmos que as pessoas buscam a felicidade ou esperam que em si mesmas recaia tanta alegria quanto se pode imaginar existir, haverá coisa mais brega e cafona? Hoje valorizamos a liberdade e a integridade da privacidade, mas, quase todos, em alguma instância da vida, já retomaram primitivos conceitos de” metades de laranjas “e” almas gêmeas “. O belo está em, acima de tudo, procurarmos em nós mesmos a felicidade e nisso consiste a maior cafonice moderna. O belo e o cafona andam de mãos dadas porque o que se torna belo passa pelos mais entregues momentos de cafonice. Ninguém aparece do nada com plaquinhas dizendo: 'Pessoa sem uso'. Todos usados e bem reciclados, seguimos o caminho da vida com desusos sem gasto ou com algum que faz de nós um pouco mais ou menos interessantes aos olhos dos pares e parceiros que buscamos. Difícil uma história e, principalmente, uma história de amor sem o brega da entrega, dos sussurros melosos e palavras encantadas. Já dizia o poeta que "Todas as cartas de amor são ridículas..." São... por isso são de amor. Nelas perdemos os escrúpulos e as eiras e beiras que nos mantêm seres de força aparente e que, de repente, se tornam meras partes do todo do amor. Esta última frase, o cafona em si? E há na entrega algo mais belo que deixar que seu coração seja por outro acompanhado? Se você acredita que houve muito uso do seu, não se perturbe. Há sempre alguém, como você, que não é zero quilômetro, mas está em bom estado de conservação. O belo pode ser o encontro. O cafona, a beleza dele." --

Ricardo Sant'Anna de Oliveira
Mestrando - Instituto de Bioquímica Médica Universidade Federal do Rio de Janeiro

Nem tudo é o que parece

O "belo" e o "cafona" se relacionam? Por quê?

Começar pelas definições referenciais parece-me bastante adequado; porém, sem analisar as concepções antropólogicas tornar-se-á insuficiente, uma vez que a visão do homem, a disponibilidade das coisas e sua conjuntura diante delas fazem parte, de forma perene, da construção de entendimento. É melhor seguir um outro modelo de resposta, pois esse é demais denso.
Segundo o dicionário enciclopédico Coimbra de Augusto Miranda, “belo” é um adjetivo pertencente ao campo semântico de formoso ou de gentil; já “cafona”, vai desde indivíduo desajeitado, com registro de expressões mais antigas como labrego, passando por inculto até chegar ao grosseiro. Circularmente definidos – conceitos à base de sinonímia.
Passeia-se pelo tempo das Eras e se encontram muitas das tentativas de conceituar os termos e de compreender a sua significância para o ego de cada um. Notáveis pensadores arriscaram esse entrave: Kant (Das Schöne), Platão (kalos em o Hípias Maior), Sócrates em diálogo com Agatão e muitos outros anônimos esmeraram-se para exprimir o que vêem de belo com os seus olhos. E, numa rápida reflexão, pergunta-se: E os cachorros? Ou gatos? Entendem o belo e o cafona?
Beleza e nem seu contraponto restringem-se à humanidade. Basta fitarmos qualquer vivente ao lado, para perceber que, de uma forma ou de outra, eles buscam, escolhem. Por condicionamento? Por acaso? Não se sabe; no entanto, entre tantas opções, nem tudo agrada aos olhos. Uns atraem. Outros repelem. Natural.
Para alguns, a beleza é resultado de emoções, de sentimentos pessoais nascidos ou adquiridos durante a existência; há aqueles que tentam exprimir a sua significância segundo a metodologia cientíifca. Recorrem-se à forma geométrica, à simetria, à medidas precisas de versos ou rimas, à lógica e aos raciocínios cognitivos de indução, dedução ou dialética. Apelam-se até a ritos e a comportamentos sociais e religiosos de vida passada; uso de entorpecentes ou aceitação passiva dos mandamentos divinos. Cada ponto tem a sua vista. Cada lugar, seu ponto-de-vista. Nada é igual. Nem a tangente passa tão perto como se supunha, pois ainda tem a assíndota dos fatos e das versões. Um círculo é uma elipse de excentricidade zero; a reta pode ser um círculo de raio infinito. Que tal o feio belamente cafona; ou o bonito cafonamente diferente? Nem mesmo a finitude da variabilidade das quatro letrinhas da vida é capaz ainda de enrijecer a percepção dos gostos pessoais. O que é bonito para mim, poderá não ser para você; o que é cafona, nem sempre vai ser.

20.7.08

Não deixe de viver para sonhar

Bom dia, Pedras!

Há pouco acordei. Havia uma sombra e uma luz. Tudo era assim. De repente, a sombra dominou o cenário como a água percola o solo; visto que a menor resistência encontrava-se no mundo subterrâneo.

Uma confissão: uma senhora, mãe de duas filhas - uma de nove e outra de sete anos - parada, numa calçada, pedia carona. De vida fácil, como dizem. Tinha apenas um propósito em mente - queria usar "crack". Água percolando saídas ainda mais fundas. Canibalismo eburnificado.

Que mundo é esse! Mãe, drogada e prostituída. Ser santificado e profano ao mesmo tempo. Quando o fraco vê a saída, entrega-se; se é forte, procura a melhor. Toda droga vem para solucionar de maneira simples os problemas; vem aumentar o moral; vem pôr no status quo almejado; vem libertar os sentidos e os sentimentos mais recônditos, a fim de que, pela evasão da realidade, possa viver como num sonho.

E para todos os sonhos; um dia, acabam. Para viver, viva; caso o contrário, boa noite!