6.10.08

"Vou-me embora pra Pasárgada"!

O povo sabe o que faz e tem o que merece!

Com 42.060 (1,31%), a candidata Clarissa Barros Assed Matheus de Oliveira, obteve o quinto lugar das eleições a vereadores da Cidade do Rio de Janeiro, já no seu primeiro intento. Ao lado de seu pai, a força hereditária impunhou ladeira a baixo o sucesso de quem nasceu ontem para a vida política. O casal Garotinho, um vez lá trás, respondeu processos e teve a quase inelegibilidade de suas candidaturas a posteriori. Porém, o destino os triunfou: tendo ou não a chance de concorrer, os seus braços genéticos, herdeiros do reino da polis, irão re-editar os marcos, os feitos épicos dos sonhos infantis - com fadas, príncipes, anões, monstros e finais adolescentes, pois os garotos crescem.

Sem contar o eminente Stepan Nercessian com 50.532 (1,57%). A vida é uma graça!

Agora, o ilustríssimo José Eduardo Figueiredo BRAUNSCHWEIGER, do PSTU, obteve o distinto ZERO de voto; mas DEZ na honestidade. Nem ele confia em sua competência para o trabalho na administração pública como vereador. Um homem íntegro, com bom senso e honesto em suas ações e bravatas. Aplausos!


RESULTADO DAS ELEIÇÕES NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO
Prefeito
Candidatos
Votos
%
EDUARDO DA COSTA PAES
Partido: PMDB
1.049.010
31,98%
FERNANDO PAULO NAGLE GABEIRA
Partido: PV
839.990
25,61%
MARCELO BEZERRA CRIVELLA
Partido: PRB
625.220
19,06%
JANDIRA FEGHALI
Partido: PC do B
321.005
9,79%
ALESSANDRO LUCCIOLA MOLON
Partido: PT
162.926
4,97%
SOLANGE AMARAL
Partido: DEM
128.591
3,92%
FRANCISCO RODRIGUES DE ALENCAR FILHO
Partido: PSOL
59.361
1,81%
PAULO SERGIO RAMOS BARBOZA
Partido: PDT
59.146
1,80%
FILIPE DE ALMEIDA PEREIRA
Partido: PSC
17.576
0,54%
VINICIUS CORDEIRO
Partido: PT do B
13.353
0,41%
EDUARDO GONÇALVES SERRA
Partido: PCB
2.663
0,08%
ANTONIO CARLOS SILVA
Partido: PCO
961
0,03%
Total de votos: 3.279.802

http://br.eleicoes.yahoo.com/riodejaneiro/eleicao2008/1turno/

30.9.08

É errando que se aprende...é o melhor erro da História

É notória a estranheza dessa popularidade do Presidente Lula. Homem, proveniente do povo, pobre e com apenas formação profissionalizante, conseguiu alcançar proporções e dimensões nunca antes atingidas por outras figuras políticas mais refinadas. Há pouco, já tinha sido hóspede da rainha Elizabeth II, conforme registra a revista Isto É em 15/03/06 (http://www.terra.com.br/istoe/1899/brasil/1899_o_desbrunde_londrino_de_lula.htm ). Um fato também de tamanha estranheza, pois é a primeira vez que um chefe de Estado brasileiro torna-se convidade da aristocracia inglesa. Como pode, esse torneiro mecânico chegar aonde chegou? Uns dirão do acaso altamente fortuito; outros do oportunismo da História ou do mercado -político; e ainda terão aqueles que farão pouco do momento e ficarão à margem maculando o cenário contemporâneo. Eu, porém, aposto no tiro que saiu da culatra - um erro mal calculado. Como ensinar para as crianças que a falta de anos de estudos e de investimentos pesados na educação fazem do país Auriverde sede do Presidente sem pós-graduação ou dos heróis de chuteiras com vícios e com silepses sintáticas? É fato: o Lula é pop, valendo a máxima do "falem mal, mas falem de mim". Todos que estão no telhado, límpido e cristalino, sofrem de chuvas de pedra. E mesmo ocorrendo tal risco, todos os outros desejam estar sob o torrencial de monolitos. No país campeão de popularidade com Big Brother e Orkut, querer aparecer é pouco - a imagem é tudo! Não temos Gentileza; temos sua marca apagada entre os focos da media:

Gentileza


Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
A palavra no muro
Ficou coberta de tinta

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro
Tristeza e tinta fresca

Nós que passamos apressados
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras
E as palavras de Gentileza

Por isso eu pergunto
À você no mundo
Se é mais inteligente
O livro ou a sabedoria

O mundo é uma escola
A vida é o circo
Amor palavra que liberta
Já dizia o Profeta.

Marisa Monte


Ter, 30 Set, 09h42Uma biografia em inglês do presidente Luiz Inácio Lula da Silva será lançada hoje em Londres. O professor Richard Bourne, da London University, retrata a vida do presidente em "Lula of Brazil - The Story So Far", publicada pela Zed Books. O livro levanta a história de Lula desde sua infância no Nordeste brasileiro, passando pela atuação sindical no ABC paulista, a fundação do Partido dos Trabalhadores, as tentativas de eleição presidencial em 1989 e 1998, as campanhas vitoriosas em 2002 e 2006 e também pelos escândalos de corrupção que abateram as figuras mais importantes do seu governo.
Com 272 páginas, a biografia é apresentada como "a história de um homem contra a história contemporânea de um poder emergente". O britânico Richard Bourne visitou o Brasil pela primeira vez em 1965, como jornalista do jornal "The Guardian". Ele também é autor de outros livros sobre a América Latina, como "Assault on the Amazon", "Getúlio Vargas of Brazil: Sphinx of the Pampas" e "Political Leaders of Latin América".
http://br.noticias.yahoo.com/s/30092008/25/politica-academico-britanico-lan-biografia-lula-ingles.html

25.9.08

Sal a gosto.

Quem diria...o sal, pior, o pré-sal garantirá prosperidade e riqueza. Um produto, em outras épocas, ligado a conotações de simplicidade, de pobreza e de banalidade, hoje, elevado a um símbolo pátrio. Foi até usado como arma linguística para confrontar a moral e a ética médica, segundo o ministro Ciro Gomes. Sal, pré-sal, não importa o seu estado e sim do uso que se faz. Num discurso quase messiânico, inflamado com tensões pré-eleitoreiras, a ministra profetizou um feito: erradicar a pobreza! Melhor: erradicar em menos de dezoito anos. Hoje, vinte e cinco de setembro de dois mil e oito, daqui a este prazo máximo, a memória sustentará as lembranças.
Prefiro, agora, temperar o meu churrasco com sal grosso e sentir o ainda gosto salgado do sal. Afinal, até as lágrimas têm o seu sabor.



Com pré-sal, Brasil erradica pobreza em menos de 18 anos, diz Dilma
Jeferson Ribeiro Do G1, em Brasília.

Segundo ela, descoberta não foi sorte, mas fruto de trabalho e tecnologia.Dilma disse que investimento em exploração já atinge R$ 50 bilhões ao ano.
A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) afirmou nesta quarta-feira (24) que os recursos obtidos com a exploração em águas ultraprofundas ajudarão na erradicação da pobreza em um prazo inferior a 18 anos. "Com o Bolsa Família, com a infra-estrutura e com a questão da educação vamos levar uns 15 a 18 anos para acabar definitivamente com a miséria e com as diferenças e as desigualdades gritantes do país. Nós iremos usar esses recursos [da exploração do pré-sal] para encurtar o processo", disse.
Segundo a ministra, "o pré-sal vai fazer com que esses passos se reduzam". "Ao invés de dar dez passos, vamos dar quatro. O que o pré-sal permite ao Brasil é antecipar etapas de desenvolvimento e de crescimento”, afirmou a ministra durante evento para gerentes e superintendentes da Caixa Econômica Federal, em Brasília.
Dilma Rousseff declarou que a descoberta de petróleo na camada pré-sal não foi golpe de sorte, como costuma afirmar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas fruto da “inteligência” e da “tecnologia” brasileiras. “Nós tivemos não a sorte, mas o esforço de uma instituição de excelência, a Petrobras. Isso não caiu do céu, foi produzido pela inteligência brasileira e pela tecnologia brasileira”, disse. Ela exaltou ainda o aumento dos investimentos do governo federal em produção e exploração de petróleo. Segundo a ministra, em 2002 eram investidos cerca de R$ 250 milhões na área. Agora, os investimentos chegam a R$ 50 bilhões.

Mais prazo de estudo:

A ministra afirmou também que a comissão interministerial criada no governo para discutir o novo marco regulatório para exploração e produção de petróleo na camada pré-sal vai analisar a possibilidade de ampliar o prazo para fechar as propostas que serão apresentadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Amanhã [quinta-feira 25] nós vamos avaliar se vamos pedir mais um prazo ou não, mas a situação está bem encaminhada, os estudos estão muito bem feitos, tanto pelo Ministério de Minas e Energia quanto os apresentados pela Petrobras, pela ANP [Agência Nacional de Petróleo], e pela Empresa de Pesquisa Energética [EPE]. É uma solução complexa, e nós queremos colocar à disposição do presidente alternativas consistentes, sólidas, bem elaboradas”, explicou. A prorrogação dos estudos que deveriam ter ficado prontos no último dia 19 foi pedida pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Lula já disse que começará a discutir o tema com o grupo após as eleições municipais.

16.9.08

De pedra em pedra...

Sciens Jesus quia venit hora ejus ut transeat ex hoc mundo ad Patrem, cum dilexisset suos qui erant in mundo, in finem dilexit eos.
Quem entrar hoje nesta casa — todo-poderoso e todo amoroso Senhor — quem entrar hoje nesta casa — que é o refúgio último da pobreza e o remédio universal das enfermidades — quem entrar, digo, a visitar-vos nela — como faz todo este concurso da piedade cristã — com muito fundamento pode duvidar se viestes aqui por pródigo, se por enfermo. Destes o céu, destes a terra, destes-vos a vós mesmo, e quem tão prodigamente despendeu quanto era e quanto tinha, não é muito que viesse a parar em um hospital. Quase persuadido estava eu a este pensamento, mas no juízo dos males sempre conjecturou melhor quem presumiu os maiores. Diz o vosso evangelista, Senhor, que a enfermidade vos trouxe a este lugar, e não a prodigalidade. Enfermo diz que estais, e tão enfermo que a vossa mesma ciência vos promete poucas horas de vida, e que por momentos se vem chegando a última: Sciens Jesus quia venit hora ejus (Jo. 13,1). Qual seja esta enfermidade, também o declara o Evangelista. Diz que é de amor, e de amor nosso, e de amor incurável. De amor: cum dilexisset; de amor nosso: suos qui erant in mundo; e de amor incurável e sem remédio: in finem dilexit eos. Este é, enfermo Senhor, e saúde de nossas almas, este é o mal ou o bem de que adoecestes, e o que vos há de tirar a vida. E porque quisera mostrar aos que me ouvem que, devendo-vos tudo pela morte, vos devem ainda mais pela enfermidade, só falarei dela. Acomodando-me pois ao dia, ao lugar e ao Evangelho, sobre as palavras que tomei dele, tratarei quatro coisas, e uma só. Os remédios do amor e o amor sem remédio. Este será, amante divino, com licença de vosso coração, o argumento do meu discurso. Ainda não sabemos de certo se o vosso amor se distingue da vossa graça. Se se não distinguem, peço-vos o vosso amor, sem o qual se não pode falar dele, e se são coisas distintas, por amor do mesmo amor vos peço a vossa graça. Ave Maria.
Os remédios do amor e o amor sem remédio são as quatro coisas, e uma só, de que prometi falar, porque, sendo a enfermidade do amor a que tirou a vida ao Autor da vida, não se pode mostrar que foi amor sem remédio, sem se dizer juntamente quais sejam os remédios do amor. Desta matéria escreveu eruditamente o Galeno do amor humano, nos livros que intitulou De Remedio Amoris, cujos aforismos, porque hão de ser convencidos, entrarão sem texto e sem nome, como quem não vem a autorizar, senão a servir. Os remédios, pois, do amor mais poderosos e eficazes que até agora tem descoberto a natureza, aprovado a experiência e receitado a arte, são estes quatro: o tempo, a ausência, a ingratidão, e, sobretudo, o melhorar de objeto. Todos temos nas palavras que tomei por tema, e tão expressos que não hão mister comento: Cum dilexisset, eis aí o tempo; suos qui erant in mundo, eis aí a ingratidão; ut transeat, eis aí a ausência; ex hoc mundo ad Patrem, eis aí a melhoria do objeto. E com se aplicarem todos estes remédios à enfermidade, todos estes defensivos ao coração, e todos estes contrários ao amor do divino Amante, nem o tempo o diminuiu, nem a ingratidão o esfriou, nem a ausência o enfraqueceu, nem a melhoria do objeto o mudou um ponto: In finem dilexit eos. Estas são as quatro partes do nosso discurso; vamos acreditando amor e desacreditando remédios.
O primeiro remédio que dizíamos é o tempo. Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera! São as afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito. São como as linhas que partem do centro para a circunferência, que, quanto mais continuadas, tanto menos unidas. Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino, porque não há amor tão robusto, que chegue a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não tira, embota-lhe as setas, com que já não fere, abre-lhe os olhos, com que vê o que não via, e faz-lhe crescer as asas, com que voa e foge. A razão natural de toda esta diferença, é porque o tempo tira a novidade às coisas, descobre-lhes os defeitos, enfastia-lhes o gosto, e basta que sejam usadas para não serem as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor? O mesmo amar é causa de não amar, e o ter amado muito, de amar menos. Baste por todos os exemplos o do amor de Davi.

Sermão do Mandato, 1643 - Padre Antônio Vieira.

Minhas amadas pedras.

"Água mole, pedra..." Pedra dura, pedra sabão, pedra lascada, pedra no olho e no sapato. São tantas pedras que é possível construir todos caminhos do mundo. Vem dos confins do universo, vem do âmago do poeta, a pedra torna-se um símbolo de rigidez. A rocha do evangelho. O imenso monolito do verdadeiro amor. Pedra. Conglomerado de minerais, com cada um alheio ao ao outro: ciranda de pedra. Nasce homem; morre pedra; transforma-se em pó. Coração vira pedra. A mente vira pedra. O computador vira pedra. Roda ciranda, rodam os homens-de-pedra, numa roda viva ebúrnea de sensações e sentimentos. Ai, que saudade das pedrinhas nas calçadas, das conhas na praia, que jaziam somente. Pegava-se. Chutava-se. E nada mais. Hoje, meu vizinho é pedra, meus irmãos são pedras, meus pais são pedras, meus amigos, pedras. Eu, pedra.
Duros feito pedras.
Pedra
Djavan
Sede de amor
Febre de anseio
Quase a escuridão
Você partiu, me reduziu,
Amor, me perco em lágrimas
Não mais a vi, desde abril,
Fui pro mar E você lá deitada na pedra
Que inveja dessa pedra
O que ficou, eu compreendi,
Face àquela visão
O que era amor inda me diz: Pena que tudo acabe...
Um lance novo me despertou
Desde já, só quero estar
Com quem me serve
E, de resto, serei breve!
Nada fica em pé pra quem se quebra numa paixão
O mundo é vão
E tudo é só um oco absurdo
Não mais me vejo assim
Tô a pé, mas chego onde vou
Revê-la só foi ruim
Porque nada me causou
Doeu, me ressenti
Quando você me desprezou
Mas hoje estou aqui: algo como uma flor na pedra
Preste a nascer

28.8.08

Pedras e vidraças.

Quinta-feira, 28 de agosto de 2008, 11h40
Por que anencefalia entra novamente em pauta?
Dr. Frei Antônio Moser
Assessor da CNBB para assuntos de bioética
Há dois anos os debates relacionados com o que se denominou de anencefalia eram tantos e tão acesos, que pareciam traduzir o problema mais grave e mais urgente do Brasil. Melhor dito, criou-se uma sensação de que quase todos os "conceptos" eram anencéfalos e que se impunha uma medida urgente, urgentíssima para resolver o problema: autorizar o abortamento.

Depois, os debates relacionados com o uso de embriões congelados para fins terapêuticos e as sucessivas tentativas de liberar, pura e simplesmente, o abortamento colocou a questão da anencefalia no esquecimento. Agora, diante de um iminente pronunciamento do Supremo Tribunal Federal, a questão volta à tona com toda a força. Por isto mesmo, urge recolocar as verdadeiras questões.

Quando falamos em "anencefalia" não apenas nos encontramos diante de uma palavra difícil, como também diante de uma palavra que se presta a equívocos.
O equívoco da palavra fica evidenciado quando sugere que os fetos portadores de uma má formação no cérebro não teriam cérebro. Na realidade o que lhes falta é o fechamento do tubo neural. A palavra certa seria meroanencefalia.

Mas os maiores equívocos não se relacionam com a palavra, e sim com a maneira como vem sendo apresentada esta realidade. Embora devamos reconhecer que nos encontramos diante de um drama, é preciso logo observar que, ao contrário do que certos debates sugerem, o número de casos é relativamente pequeno. Uma estatística realizada pela Universidade de Minas Gerais cobrindo a década de 1990-2000 assinala que em 18.807 partos, constataram-se apenas 11 casos que nasceram vivos e 5 natimortos.

Uma segunda observação se faz necessária: considerando as estatísticas mundiais, nosso índice é alto, o que sugere que os casos de meroanencefalia, remetem para fatores múltiplos, inclusive ambientais. Entre estes fatores o mais importante é aquele que é mais facilmente contornável: ausência de ácido fólico.

Em terceiro lugar não podemos nos esquecer o sofrimento da mãe e dos parentes mais próximos. Eles precisam de todo o apoio possível, a nível médico, psicológico, religioso...

Um eventual abortamento só iria aumentar esse sofrimento. Por isso mesmo a pergunta é: "Por que a questão volta a entrar em pauta?" Não seria pelo interesse de aproveitar células e órgãos? Não seria para abrir as portas a todo e qualquer tipo de abortamento? Tudo isso dá o que pensar.

27.8.08

Ponto.

Mais um ponto

"O homem nasceu para aprender, aprender tanto quanto a vida lhe permita".

Guimarães Rosa

Por ora, uns poderiam dissertar bastantes linhas, esgotar todo labor cognitivo para tentar aproximar a ciência da arte; já outros dissertariam mais períodos e pensamentos acerca dessas duas partes universalmente singulares. Ou então, ambos serem irresponsavelmente imediatistas e atribuírem seus signifivados semânticos-culturais num rápido processo intelectual, desprezando qualquer ínfima reflexão. Basta a condição sine qua non humana para o agir científico e a percepção artística reagirem em um mesmo sistema antropológico. Lembrar as conjecturas de Descartes, ou as descrições filosóficas greco-romanas sobre simetria, medidas e modelos, ajudam-nos ir ao encontro da capacidade inata de o ser humano pensar e reproduzir, por figuras ou por letras, suas emoções e seus sentidos.

Como a orientação específica dos átomos, de moléculas em moléculas, cada olhos de visão, cada ponto-de-vista, revela-se numa magistral expressão solitária de sentimentos pessoais. Não tem jeito: a relação da ciência com a arte é, ao mesmo tempo, nenhuma e totalmente afim. Confuso? Não. Constituem definições dinamicamente conceituáveis, de acordo com a conjuntura, com o tempo, com o credo, com o gênero, com a raça e com diversos parâmetros instáveis ao sabor do caos cosmológico. Nota-se, dessa forma, que desenhando a linha que perpassa cada âmbito particular, tem-se o círculo da verdade: em que o centro pode ser comum, mas o raio depende da insconstante demografia em questão. Dois mais dois, além de implicar quatro, resultam também números quase infinitos de possibilidades de criar um ser humano – a matemática nem sempre é tão exata; parece mais uma mágica. No meio da ciência e da arte, há tropeços: a arte de aprender e a arte de ensinar – a pedra filosofal do caminho da existência.

Ponto: Entre a questão de ensinar ou de aprender, na vida, a melhor opção é viver. Parece ser redundância o último período grafado, mas representa o quão é inócuo posicionar-se diante das quase normas de condutas. O dinamismo dos fatos ou das circunstâncias faz com que esse tropeço etimológico seja um pilar em constantes transformações de pensamentos e de abordagens do processo de transmissão de conhecimento. Irão existir inúmeros defensores a dizerem que no ensinar há um dom artístico, quase mágico; enquanto, um não-menor número firmará posição na suma competência sócio-biológica de poder aprender sob a égide do determinismo natural. Cada ponto-de-vista especializa-se em se justificar, de preferência, em contraposição ao que se deseja combater; e, a partir daí, polarizam-se. Bem, de versões a versões, vão construindo-se verdades e mais verdades sobre o cimento dos fatos. E a arte? Essa está na maneira livre e espontânea de se associar a um dos pólos. Do nada, pode-se fazer o mundo – isso é arte.

Até o não-fazer poderá ser relevante no pleno processo de ensinar. No entanto, há aqueles que se dedicam à construção ativa do sujeito ávido pelo conteúdo a ser ensinado. Diversas teorias baseadas em bastantes modelos eficazes e em outros nem tanto, aliam-se ou confrontam-se com a sútil finalidade de transmitir as informações referenciais. Modelo de sala de aula em ambiente fechado, com normas e uniformes, giz e professores perante a assembléia disposta a sua frente, mostra-se vigente e ainda é eficaz nos dias de hoje. Pouco importa se um gosta ou não entende, a preocupação está na média: determina-se o quanto deverá saber de tudo que fora exposto. A apótema do dodecágono inscrito num certo círculo é tão fundamental quanto o conceito e as utilidades de uma função de primeiro grau. E a arte? Está na abstração da utilidade; na recompensa do final de ano, quando se é aprovado para cursar o próximo ciclo de aprendizado. A arte é a forma de como se entende; se vê e se adquire. Por outro lado, há os que acreditam na aquisição natural do aprendizado, respeitando assim, o tempo particular de cada desenvolvimento cognitivo. Para esses, o indivíduo é uma peça acabada. Será uma questão de horas para o sujeito perceber o seu mundo. Ensinar passa pelas mais energéticas atividades humanas: como dizer a um russo que um bom samba é dois pra lá, dois pra cá? Por mímica? Não sei. A vida imita a arte, mas o oposto...

É assim, dois pra cá, e as pernas soviéticas não acompanham com a mesma naturalidade. É a harmonia, o rítmo, o compasso e o enredo. São muitas variáveis e limitantes, para que a adequada forma de se tentar ensinar torne-se realmente eficiente. A maneira com a qual o russo apreenderá a mímica está intimamente associada à sua acumulação cultural: sua genética e seu ambiente social. Enfim, depende de sua arte de agir diante dos fatos e dos acontecimentos. Imaginar-se – É rima, é parte, é arte, é cada ponto-de-vista.

Na outra ponta do mister vínculo humano, há os tijolos do grande muro da ciência – a capacidade inata de aprender. Por diversas vias, vêm as informações: pelos olhos, pelos ouvidos, pelas mãos e até pelas narinas e pela boca. Aprender é sentir. E a arte? É o sentimento livre. Não se pode aprender sem sentir emoções; elas permitem o mergulho profundo nas águas do saber. A ciência já demonstrou por alguns ensaios de neurociência que pelo impacto das ações, pelo sentimento, a memória tão necessária para o aprendizado cristaliza-se na mente. É fácil testar tal assertiva, se imaginar, que, além dos cinco sentidos, a capacidade de associação dos fatos ou dos eventos permite resgatar aquilo uma vez já apreendido; seja pela leitura, pela escrita ou pela vivência. Se viver é sentir e aprender é sentir; nem ouse concluir o silogismo. Pronto. Aprender é isso. Uma lembrança; um conhecimento. Os detalhes, só quando interessam.

A uma flor, água, luz e terra. A uma criança, estímulo, atenção e carinho. Pode-se, dessa forma, parecer uma rasa simplificação; no entanto, é o método mais eficaz para levar ao ser em formação as ferramentas fundamentais para o seu construtivismo intelectual. Terão alguns com fortes discordâncias a respeito do método citado. Constrói pra cá, socializa-se pra lá, impõe-se de um jeito ou deixa acontecer, pois tudo que se precisa já vem pronto. Não importa. Nunca se deve esquecer, portanto, da finalidade: transmissão de forma mais agradável a informação. Se é útil, só o tempo e a oportunidade dirão. Cada ser é um universo singular, o qual caberão a ele necessidades especiais, com a atenção que merece. Enquanto o estímulo, vem da dinâmica instável do afluxo de conteúdos referenciais ou informais, capazes de prover sempre o crescimento pessoal; já o carinho, é a ponta mais complexa do processo. Com toda relevância dos sentidos, da lembrança, das emoções dos acontecimentos ou do impacto dos fatos, a maneira de se abordar, mostrando-se próximo e atento às dificuldades particulares, com todo carinho à disposição, é fundamental. Inicia-se lá pelos primórdios da comunicação, em que os pais, ou quem se dedica à criança, preocupam-se com o olhar, com o toque, com, de novo, a atenção; visto que são esses primorosos momentos que cada indivíduo sentir-se-á protegido, seguro de si e apto para aprender e logo ensinar; é como se fosse um repositório de segurança sendo completado, e, quando mais cheio, mais se consegue transmitir; quando se menos, por pouco tempo. Segurança permite ter força. Fornece poder. E dela se emana a faculdade do aprendizado ativo, aquele que, por interesse próprio, liberta os seres umbrais da terrível sombra da ignorância. Sem vontade, sem luz.

Até um computador pode ensinar, devido a sua alta capacidade de armazenagem de informações, fazendo a interface humana aprender; pois, pela arte dos sentidos, é que o lúcido entendimento é possível. Do contrário, é a ausência de substanciais indefinições da natureza humana, tais como: sentir, ter vontade, consciência; que faz do computador uma criatura estática, limitada com seu raciocínio binário. O que adianta garantir o pleno acesso às notícias e às informações, seja através da memória, seja da conexão entre computadores; se o que permite o rico espírito dinâmico e ávido pelo desenvolvimento pessoal é a ímpar função de sermos eternos na arte: tudo tem a sua duração; tudo se acaba; menos a vista de cada ponto, menos o ponto de cada vista, menos o ponto-de-vista de toda obra de arte. A arte expressa-se.

Pode-se, com isso, perceber que a arte permeia ambos os pilares. É a forma autônoma de estar vivo, além de possuir todas as funcionalidades vitais. Respirar é um mecanismo fisiológico; mas viver de maneira intensa e notável é algo unicamente humano. Toda e qualquer explicação acerca da arte de ensinar será insuficiente para se deixar inteligível a arte de aprender. São mais do que dois em um; mais do que mão e luva; mais do que importante ou prioriários; são artes. São expressões de cada vivência passada por um único ponto; ponto de vista na circunferência dos fatos e dos acontecimentos.

18.8.08

(ponto) não sou - cadê o eu?

De conversa em conversa, chega-se ao ponto mais crucial e íntimo: ao eu. Quando essa presença pessoal torna-se frequente e constante, a convivência social fica abalada. É um tal de "eu" pra cá, "eu"pra lá, que o máximo que se consegue enxergar é a própria imagem especular. Individualização. Um processo longo e árduo na formação de cada pessoa. Para isso, requererá um pouco de orgulho, uma colher de chá de vaidade e uma pitada de alguns genes. Pronto. Herança genética, influência cultural, pecados originais e capitais são os pilares fundamentais do grande mal de uma sociedade: conjunto de solitários.
Seja um papo informal com um amigo, uma conversa afiada com colegas ou um diálogo confortante entre familiares, o ponto forte do ego, centro de gravidade e de conflitos, quer resplandecer sozinho a custa de todos à sua órbita de influência: quer unir-se, para tornar-se mais só. Quer mais um, sendo único. Quer brilhar, como a lua.
Palavras, palavras, palavras não são mais do que palavras; com letras atrás de letras. Sem sentidos. A versão cada ponto tem na sua época, no seu credo, na sua raça, no jeito adequado de ser como faces de um mesmo polígono: verdade.
Palavras sem atos são assim. Palavras com atos, singularmente flexionados; covardemente comentados. Cada um com a sentença dos demais; cada um com a imagem dos demais; cada um, pelo outro.
É estranho: o eu não é ele próprio; é terceiros projetados no egocentrismo de todos os seres. Ninguém é ninguém. Somos imagem e semelhança de nossos irmãos - a vontade pessoal que nos enterra no infinito sombrio da prepotência individualista. O pior acusador é nossa consciência; o advogado do diabo.

Cathedral songs

Tanika Takiram

I saw you from the cathedral
You were watching me
And I saw from the cathedral
What I should be

So take my lies
And take my time
'Cos all the others want to take my life

And I watch you with an intent, basic
It's the same for you
You hold your hand
And it's all fine - laced and
What would you make me do?

So take my lies
And take my time
'Cos all the others want to take my life

Serious for the winter time
To wrench my soul
whole cotton, whole cotton ears
But I know there must be
There must be, yes, I know there must be a place to go

You saw me from the cathedral
Well I'm an ancient heart
Yes, you saw me from the cathedral
Well here we are just falling apart

You catch me
I am tired
I want all that you are

I saw you from the cathedral
You were leaving me
And I saw from the cathedral
You could not see to see

So take my lies
And take my time
'Cos all the others want to take my life

13.8.08

Desencontros astigmáticos

Entre o ser e a incompletude da existência, o vácuo da representação diante da tentativa de se notabilizar sob a condição de indivíduo, em uma dada condição e contexto, predomina a fundamental substância do real. As possibilidades são inúmeras. Finge-se o tempo inteiro, e quando se pode, para que se consiga resenhar aquilo que contamos como estória; conta-se sempre o que quer, pois o objetivo é tornar-se protagonista. O ego é o quase fim da gravitação pessoal - limite centrípeto dos interesses particulares. Não há a idéia da entrega complementar; nem a força convergente de ambas as partes; o que vale é o mais genuíno reflexo: dos anseios à forma rasa da capa putrescível humana - O meu reflexo não me conhece. O outro, um engano.

11.8.08

Simplesmente, faces

são fáceis.

nem sempre no início há
Maiúscula
às vezes aparece
no final diminuta
a vontade, a alegria.

Queria poder dizer
com tantos verbos
vozes caladas
de desejo.

a razão pura do conselho
dos experientes, dos pais
ecoa insuportavelmente
nas horas presas
em segundos
passados.

No início, muita força
há tanta força que sustenta o mundo
o mundo pequeno
bem pequeno
para os almejos joviais.

Agora, devagar
bem devagar
as repetições da vida
sem brilho, sem vontade
sem razão.

a antítese dos fatos
o não-real da existência
vendo; ilusões de graça
a monotonia de ser
feliz.