28.10.08

Amarelo, verde, azul...branco. E a situação, preta.


O tema é polêmico e complexo demais para tratar em linhas gerais. A necessidade da mulher em trabalhar vai muito além do compromisso de prover uma família. Não que o mercado ou os tempos tornaram-se piores do que anos atrás, mas é a pressão seletiva antropológica é cada vez mais exclusiva, principalmente, em se tratar do âmbito global. O que hoje se determina, ou se preza, é repercutido veloz e catastroficamente no mundo de relacionamentos. Passadas as vilas e as aldeias, o cenário contemporâneo permite o acesso às informações, às riquezas e o caráter humano ser dissecado em Kbytes por segundo.

A mulher, o ser humano, possui o intrínseco desejo de se manter digno e notório frente aos seus pares. Ser mãe, profissional, cobiçada, administradora de lar, ótima filha, querida irmã, fiel amiga são alguns dos pilares de sustentação. Há de explorar mais sucinto e honestamente acerca deles de maneira individual e em conjunto; porém, há também outros contra-pilares, como, por exemplo, a ímpar instância de se viver, sobreviver, manter-se bem e satisfeito, mesmo a custa de alguns pilares ruírem. Quanto mais se aumenta o eu-desejo, mais se diminui a chance de ser plenamente satisfeito.Viver abraçado não enche o ego de ninguém - ficamos meio cheio e meio vazio. Viver separado exclui a chance de estar-se plenamente satisfeito.

Enfim, nesse complexo polígono da vida, mais vale encostar-se numa só aresta apenas do que ficar indefinido num vértice qualquer. Nele, somos nada; nela, aparecemos.

Wilen Norat Siqueira



Por Cynthia Magnani • 28/10/2008
No últimos três séculos, a situação das mulheres na sociedade, graças ao movimento feminista, mudou bastante: votamos como os homens, podemos pedir o divórcio por vontade própria e somos maioria nas universidades. No entanto, em relação ao acesso ao mercado de trabalho, as mudanças têm ocorrido de maneira um pouco mais lenta. E o mais perturbador: a maternidade ainda é, muitas vezes, um entrave para a carreira. Uma pesquisa feita por uma das maiores empresas de recursos humanos norte-americanas, o grupo Catalyst, indica que cerca de 25% das mulheres com filhos pequenos decidem não voltar a trabalhar após o nascimento deles. Os pesquisadores entrevistaram quase duas mil mães entre 20 e 44 anos nos Estados Unidos, Canadá e Suécia, e perceberam que, para 43% delas, a vida profissional passou a interferir negativamente no ambiente familiar. Segundo 83% das entrevistadas, a chegada de um filho fez com que elas passassem a valorizar mais uma vida em família equilibrada do que o sucesso na carreira.
A mulher moderna acumula as funções de cuidar de casa, do trabalho, do próprio corpo (afinal, a concorrência anda acirrada), do marido e dos filhos. Como se não bastasse, o sexo feminino ainda sofre preconceitos, como salários menores que os dos homens e pouca representatividade entre os cargos de chefia de grandes empresas, por exemplo.
As sanções para quem não respeita os direitos das mulheres são jurídicas e legais, mas também de quebra de contratos comerciais ou de imagem
Segundo Leyla Nascimento, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos - seção Rio de Janeiro (ABRH-RJ), a mais conhecida forma de preconceito é a demissão de profissionais mulheres ao saberem que elas estão grávidas. "É uma visão míope da empresa que, ao comportar-se dessa forma, gera um clima organizacional péssimo, que impacta na performance e nos resultados dos demais funcionários. E o que considero pior: reflete no mercado uma imagem muito ruim. A marca passa a não ser valorizada, pois a empresa esquece que estamos na "sociedade do relacionamento" e essas informações são transferidas para o mercado. Nenhum profissional quer ter no seu currículo uma empresa que não possua uma boa imagem. Assim, a organização passará a ter dificuldades de reter os seus talentos ou de recrutar bons profissionais. Além disso, no mercado global, muitos países não mais aceitam estabelecer relações comerciais com empresas que não trabalham com a diversidade. As sanções para quem não respeita os direitos das mulheres são jurídicas e legais, mas também de quebra de contratos comerciais ou de imagem", alerta.
Mas, infelizmente, muitas empresas ainda torcem o nariz ao saber que uma funcionária está grávida ou que pretende ter filhos em breve. Isso em pleno século XXI. Por esses motivos, muitas mulheres adiam a gravidez ou simplesmente abrem mão de serem mães, apenas para se dedicarem ao trabalho.

A relações-públicas contratada pelo Exército Ana Luiza Oliveira é uma das que optaram por esperar um pouquinho mais para engravidar por causa do trabalho. "Para exercer a profissão em que me formei e buscar aperfeiçoamento através de cursos de especialização tive que mudar de cidade e construir minha vida em um lugar diferente. Acho que ainda é possível, sim, conciliar filhos e trabalho, mas é necessário ajuda de outras pessoas, como familiares, babás ou creches. Por isso achei melhor esperar mais para realizar o meu grande sonho de ser mãe", diz. Depois de cinco anos morando no Rio de Janeiro, Ana Luiza conseguiu, este ano, voltar para sua cidade natal, Volta Redonda, no interior do estado. Ela se diz pronta para retomar o sonho da maternidade. "Como atualmente minha vida está mais engrenada, pessoal e profissionalmente, podendo conciliar minha carreira com a vida pessoal, estou programando para o próximo ano a vinda do tão esperado baby", comemora.

http://msn.bolsademulher.com/familia/materia/maternidade_ou_profissao/31722/1

25.10.08

O sublime e o atroz são características do homem?
O que leva ao sublime e ao atroz?

O sublime é um estado da alma do ser humano.
É um momento único de sentimentos de prazer e paz interior. É um minuto de inspiração em que o homem encontra-se unido ao Universo, deixando de ser uma parte do todo e
passando a fazer parte desse todo.
O atroz é uma característica do homem. É uma característica de
sobrevivência da espécie.
O sublime é divino, especial e único.
O atroz é cotidiano, necessário e comum.
O sublime é um prêmio que alguns homens recebem em alguns momentos da sua vida.
O atroz é uma característica que persegue o homem por toda a sua vida.
O sublime o homem nem sempre alcança...
O atroz o homem sempre possui...
O homem é elevado a um estado sublime pela beleza e perfeição do inexplicável Universo.
O homem age atrozmente pela necessidade de sobreviver nesse inexplicável Universo.


Profa Emília Freitas
Departamento de Anatomia - UFRJ

Os opostos não se atraem; são as mesmas coisas

O sublime e o atroz são características do homem?
O que leva ao sublime e ao atroz?


De um grão, tudo

De um afeto, tudo.


Será que afeto e grão estão no mesmo estrato conotativo ou denotativo? Numa rápida e rasa análise poder-se-ia dizer que sim; já que, segundo o que foi estabelecido como proposições, leva-nos a conectar sentenças lógicas e a concluirmos de forma equivocada. O tudo não cabe em si.
Somos substância; somos pensamentos. Somos lembranças ou até mesmo esquecimento. No entanto, se nem mesmo um preciso delito pode ser isento de evidências, nós, homens, também somos singularmente notáveis. De uma singamia, um mundo de sentimentos e sensações – É tão sublime quanto atroz. De energia em energia, autólise e apoptoses, uma célula desenvolve-se em muitos milhões iguais a primeira – em um ser humano. De mortes, uma vida. De muitas mortes, tua vida. De um ato atroz conjugal ou extra-conjugal, uma vida. Acaso, os fins justificam, explicam, entendem, compreendem, dizem o tempo ou as circunstâncias dos meios? Há muitas relações e pouco sentido. O juízo que se tem acerca do recato de viver é dependente da estreita visão que se tem dos fatos. Eu, sublime; Tu, atroz.
Da luz da alvorada ao brilho especular da lua
do cheiro de jasmim logo de manhã
do choro pueril ao beijo da amada
vêm o sublime e o atroz
juntos.

6.10.08

"Vou-me embora pra Pasárgada"!

O povo sabe o que faz e tem o que merece!

Com 42.060 (1,31%), a candidata Clarissa Barros Assed Matheus de Oliveira, obteve o quinto lugar das eleições a vereadores da Cidade do Rio de Janeiro, já no seu primeiro intento. Ao lado de seu pai, a força hereditária impunhou ladeira a baixo o sucesso de quem nasceu ontem para a vida política. O casal Garotinho, um vez lá trás, respondeu processos e teve a quase inelegibilidade de suas candidaturas a posteriori. Porém, o destino os triunfou: tendo ou não a chance de concorrer, os seus braços genéticos, herdeiros do reino da polis, irão re-editar os marcos, os feitos épicos dos sonhos infantis - com fadas, príncipes, anões, monstros e finais adolescentes, pois os garotos crescem.

Sem contar o eminente Stepan Nercessian com 50.532 (1,57%). A vida é uma graça!

Agora, o ilustríssimo José Eduardo Figueiredo BRAUNSCHWEIGER, do PSTU, obteve o distinto ZERO de voto; mas DEZ na honestidade. Nem ele confia em sua competência para o trabalho na administração pública como vereador. Um homem íntegro, com bom senso e honesto em suas ações e bravatas. Aplausos!


RESULTADO DAS ELEIÇÕES NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO
Prefeito
Candidatos
Votos
%
EDUARDO DA COSTA PAES
Partido: PMDB
1.049.010
31,98%
FERNANDO PAULO NAGLE GABEIRA
Partido: PV
839.990
25,61%
MARCELO BEZERRA CRIVELLA
Partido: PRB
625.220
19,06%
JANDIRA FEGHALI
Partido: PC do B
321.005
9,79%
ALESSANDRO LUCCIOLA MOLON
Partido: PT
162.926
4,97%
SOLANGE AMARAL
Partido: DEM
128.591
3,92%
FRANCISCO RODRIGUES DE ALENCAR FILHO
Partido: PSOL
59.361
1,81%
PAULO SERGIO RAMOS BARBOZA
Partido: PDT
59.146
1,80%
FILIPE DE ALMEIDA PEREIRA
Partido: PSC
17.576
0,54%
VINICIUS CORDEIRO
Partido: PT do B
13.353
0,41%
EDUARDO GONÇALVES SERRA
Partido: PCB
2.663
0,08%
ANTONIO CARLOS SILVA
Partido: PCO
961
0,03%
Total de votos: 3.279.802

http://br.eleicoes.yahoo.com/riodejaneiro/eleicao2008/1turno/

30.9.08

É errando que se aprende...é o melhor erro da História

É notória a estranheza dessa popularidade do Presidente Lula. Homem, proveniente do povo, pobre e com apenas formação profissionalizante, conseguiu alcançar proporções e dimensões nunca antes atingidas por outras figuras políticas mais refinadas. Há pouco, já tinha sido hóspede da rainha Elizabeth II, conforme registra a revista Isto É em 15/03/06 (http://www.terra.com.br/istoe/1899/brasil/1899_o_desbrunde_londrino_de_lula.htm ). Um fato também de tamanha estranheza, pois é a primeira vez que um chefe de Estado brasileiro torna-se convidade da aristocracia inglesa. Como pode, esse torneiro mecânico chegar aonde chegou? Uns dirão do acaso altamente fortuito; outros do oportunismo da História ou do mercado -político; e ainda terão aqueles que farão pouco do momento e ficarão à margem maculando o cenário contemporâneo. Eu, porém, aposto no tiro que saiu da culatra - um erro mal calculado. Como ensinar para as crianças que a falta de anos de estudos e de investimentos pesados na educação fazem do país Auriverde sede do Presidente sem pós-graduação ou dos heróis de chuteiras com vícios e com silepses sintáticas? É fato: o Lula é pop, valendo a máxima do "falem mal, mas falem de mim". Todos que estão no telhado, límpido e cristalino, sofrem de chuvas de pedra. E mesmo ocorrendo tal risco, todos os outros desejam estar sob o torrencial de monolitos. No país campeão de popularidade com Big Brother e Orkut, querer aparecer é pouco - a imagem é tudo! Não temos Gentileza; temos sua marca apagada entre os focos da media:

Gentileza


Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
A palavra no muro
Ficou coberta de tinta

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro
Tristeza e tinta fresca

Nós que passamos apressados
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras
E as palavras de Gentileza

Por isso eu pergunto
À você no mundo
Se é mais inteligente
O livro ou a sabedoria

O mundo é uma escola
A vida é o circo
Amor palavra que liberta
Já dizia o Profeta.

Marisa Monte


Ter, 30 Set, 09h42Uma biografia em inglês do presidente Luiz Inácio Lula da Silva será lançada hoje em Londres. O professor Richard Bourne, da London University, retrata a vida do presidente em "Lula of Brazil - The Story So Far", publicada pela Zed Books. O livro levanta a história de Lula desde sua infância no Nordeste brasileiro, passando pela atuação sindical no ABC paulista, a fundação do Partido dos Trabalhadores, as tentativas de eleição presidencial em 1989 e 1998, as campanhas vitoriosas em 2002 e 2006 e também pelos escândalos de corrupção que abateram as figuras mais importantes do seu governo.
Com 272 páginas, a biografia é apresentada como "a história de um homem contra a história contemporânea de um poder emergente". O britânico Richard Bourne visitou o Brasil pela primeira vez em 1965, como jornalista do jornal "The Guardian". Ele também é autor de outros livros sobre a América Latina, como "Assault on the Amazon", "Getúlio Vargas of Brazil: Sphinx of the Pampas" e "Political Leaders of Latin América".
http://br.noticias.yahoo.com/s/30092008/25/politica-academico-britanico-lan-biografia-lula-ingles.html

25.9.08

Sal a gosto.

Quem diria...o sal, pior, o pré-sal garantirá prosperidade e riqueza. Um produto, em outras épocas, ligado a conotações de simplicidade, de pobreza e de banalidade, hoje, elevado a um símbolo pátrio. Foi até usado como arma linguística para confrontar a moral e a ética médica, segundo o ministro Ciro Gomes. Sal, pré-sal, não importa o seu estado e sim do uso que se faz. Num discurso quase messiânico, inflamado com tensões pré-eleitoreiras, a ministra profetizou um feito: erradicar a pobreza! Melhor: erradicar em menos de dezoito anos. Hoje, vinte e cinco de setembro de dois mil e oito, daqui a este prazo máximo, a memória sustentará as lembranças.
Prefiro, agora, temperar o meu churrasco com sal grosso e sentir o ainda gosto salgado do sal. Afinal, até as lágrimas têm o seu sabor.



Com pré-sal, Brasil erradica pobreza em menos de 18 anos, diz Dilma
Jeferson Ribeiro Do G1, em Brasília.

Segundo ela, descoberta não foi sorte, mas fruto de trabalho e tecnologia.Dilma disse que investimento em exploração já atinge R$ 50 bilhões ao ano.
A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) afirmou nesta quarta-feira (24) que os recursos obtidos com a exploração em águas ultraprofundas ajudarão na erradicação da pobreza em um prazo inferior a 18 anos. "Com o Bolsa Família, com a infra-estrutura e com a questão da educação vamos levar uns 15 a 18 anos para acabar definitivamente com a miséria e com as diferenças e as desigualdades gritantes do país. Nós iremos usar esses recursos [da exploração do pré-sal] para encurtar o processo", disse.
Segundo a ministra, "o pré-sal vai fazer com que esses passos se reduzam". "Ao invés de dar dez passos, vamos dar quatro. O que o pré-sal permite ao Brasil é antecipar etapas de desenvolvimento e de crescimento”, afirmou a ministra durante evento para gerentes e superintendentes da Caixa Econômica Federal, em Brasília.
Dilma Rousseff declarou que a descoberta de petróleo na camada pré-sal não foi golpe de sorte, como costuma afirmar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas fruto da “inteligência” e da “tecnologia” brasileiras. “Nós tivemos não a sorte, mas o esforço de uma instituição de excelência, a Petrobras. Isso não caiu do céu, foi produzido pela inteligência brasileira e pela tecnologia brasileira”, disse. Ela exaltou ainda o aumento dos investimentos do governo federal em produção e exploração de petróleo. Segundo a ministra, em 2002 eram investidos cerca de R$ 250 milhões na área. Agora, os investimentos chegam a R$ 50 bilhões.

Mais prazo de estudo:

A ministra afirmou também que a comissão interministerial criada no governo para discutir o novo marco regulatório para exploração e produção de petróleo na camada pré-sal vai analisar a possibilidade de ampliar o prazo para fechar as propostas que serão apresentadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Amanhã [quinta-feira 25] nós vamos avaliar se vamos pedir mais um prazo ou não, mas a situação está bem encaminhada, os estudos estão muito bem feitos, tanto pelo Ministério de Minas e Energia quanto os apresentados pela Petrobras, pela ANP [Agência Nacional de Petróleo], e pela Empresa de Pesquisa Energética [EPE]. É uma solução complexa, e nós queremos colocar à disposição do presidente alternativas consistentes, sólidas, bem elaboradas”, explicou. A prorrogação dos estudos que deveriam ter ficado prontos no último dia 19 foi pedida pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Lula já disse que começará a discutir o tema com o grupo após as eleições municipais.

16.9.08

De pedra em pedra...

Sciens Jesus quia venit hora ejus ut transeat ex hoc mundo ad Patrem, cum dilexisset suos qui erant in mundo, in finem dilexit eos.
Quem entrar hoje nesta casa — todo-poderoso e todo amoroso Senhor — quem entrar hoje nesta casa — que é o refúgio último da pobreza e o remédio universal das enfermidades — quem entrar, digo, a visitar-vos nela — como faz todo este concurso da piedade cristã — com muito fundamento pode duvidar se viestes aqui por pródigo, se por enfermo. Destes o céu, destes a terra, destes-vos a vós mesmo, e quem tão prodigamente despendeu quanto era e quanto tinha, não é muito que viesse a parar em um hospital. Quase persuadido estava eu a este pensamento, mas no juízo dos males sempre conjecturou melhor quem presumiu os maiores. Diz o vosso evangelista, Senhor, que a enfermidade vos trouxe a este lugar, e não a prodigalidade. Enfermo diz que estais, e tão enfermo que a vossa mesma ciência vos promete poucas horas de vida, e que por momentos se vem chegando a última: Sciens Jesus quia venit hora ejus (Jo. 13,1). Qual seja esta enfermidade, também o declara o Evangelista. Diz que é de amor, e de amor nosso, e de amor incurável. De amor: cum dilexisset; de amor nosso: suos qui erant in mundo; e de amor incurável e sem remédio: in finem dilexit eos. Este é, enfermo Senhor, e saúde de nossas almas, este é o mal ou o bem de que adoecestes, e o que vos há de tirar a vida. E porque quisera mostrar aos que me ouvem que, devendo-vos tudo pela morte, vos devem ainda mais pela enfermidade, só falarei dela. Acomodando-me pois ao dia, ao lugar e ao Evangelho, sobre as palavras que tomei dele, tratarei quatro coisas, e uma só. Os remédios do amor e o amor sem remédio. Este será, amante divino, com licença de vosso coração, o argumento do meu discurso. Ainda não sabemos de certo se o vosso amor se distingue da vossa graça. Se se não distinguem, peço-vos o vosso amor, sem o qual se não pode falar dele, e se são coisas distintas, por amor do mesmo amor vos peço a vossa graça. Ave Maria.
Os remédios do amor e o amor sem remédio são as quatro coisas, e uma só, de que prometi falar, porque, sendo a enfermidade do amor a que tirou a vida ao Autor da vida, não se pode mostrar que foi amor sem remédio, sem se dizer juntamente quais sejam os remédios do amor. Desta matéria escreveu eruditamente o Galeno do amor humano, nos livros que intitulou De Remedio Amoris, cujos aforismos, porque hão de ser convencidos, entrarão sem texto e sem nome, como quem não vem a autorizar, senão a servir. Os remédios, pois, do amor mais poderosos e eficazes que até agora tem descoberto a natureza, aprovado a experiência e receitado a arte, são estes quatro: o tempo, a ausência, a ingratidão, e, sobretudo, o melhorar de objeto. Todos temos nas palavras que tomei por tema, e tão expressos que não hão mister comento: Cum dilexisset, eis aí o tempo; suos qui erant in mundo, eis aí a ingratidão; ut transeat, eis aí a ausência; ex hoc mundo ad Patrem, eis aí a melhoria do objeto. E com se aplicarem todos estes remédios à enfermidade, todos estes defensivos ao coração, e todos estes contrários ao amor do divino Amante, nem o tempo o diminuiu, nem a ingratidão o esfriou, nem a ausência o enfraqueceu, nem a melhoria do objeto o mudou um ponto: In finem dilexit eos. Estas são as quatro partes do nosso discurso; vamos acreditando amor e desacreditando remédios.
O primeiro remédio que dizíamos é o tempo. Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera! São as afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito. São como as linhas que partem do centro para a circunferência, que, quanto mais continuadas, tanto menos unidas. Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino, porque não há amor tão robusto, que chegue a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não tira, embota-lhe as setas, com que já não fere, abre-lhe os olhos, com que vê o que não via, e faz-lhe crescer as asas, com que voa e foge. A razão natural de toda esta diferença, é porque o tempo tira a novidade às coisas, descobre-lhes os defeitos, enfastia-lhes o gosto, e basta que sejam usadas para não serem as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor? O mesmo amar é causa de não amar, e o ter amado muito, de amar menos. Baste por todos os exemplos o do amor de Davi.

Sermão do Mandato, 1643 - Padre Antônio Vieira.

Minhas amadas pedras.

"Água mole, pedra..." Pedra dura, pedra sabão, pedra lascada, pedra no olho e no sapato. São tantas pedras que é possível construir todos caminhos do mundo. Vem dos confins do universo, vem do âmago do poeta, a pedra torna-se um símbolo de rigidez. A rocha do evangelho. O imenso monolito do verdadeiro amor. Pedra. Conglomerado de minerais, com cada um alheio ao ao outro: ciranda de pedra. Nasce homem; morre pedra; transforma-se em pó. Coração vira pedra. A mente vira pedra. O computador vira pedra. Roda ciranda, rodam os homens-de-pedra, numa roda viva ebúrnea de sensações e sentimentos. Ai, que saudade das pedrinhas nas calçadas, das conhas na praia, que jaziam somente. Pegava-se. Chutava-se. E nada mais. Hoje, meu vizinho é pedra, meus irmãos são pedras, meus pais são pedras, meus amigos, pedras. Eu, pedra.
Duros feito pedras.
Pedra
Djavan
Sede de amor
Febre de anseio
Quase a escuridão
Você partiu, me reduziu,
Amor, me perco em lágrimas
Não mais a vi, desde abril,
Fui pro mar E você lá deitada na pedra
Que inveja dessa pedra
O que ficou, eu compreendi,
Face àquela visão
O que era amor inda me diz: Pena que tudo acabe...
Um lance novo me despertou
Desde já, só quero estar
Com quem me serve
E, de resto, serei breve!
Nada fica em pé pra quem se quebra numa paixão
O mundo é vão
E tudo é só um oco absurdo
Não mais me vejo assim
Tô a pé, mas chego onde vou
Revê-la só foi ruim
Porque nada me causou
Doeu, me ressenti
Quando você me desprezou
Mas hoje estou aqui: algo como uma flor na pedra
Preste a nascer

28.8.08

Pedras e vidraças.

Quinta-feira, 28 de agosto de 2008, 11h40
Por que anencefalia entra novamente em pauta?
Dr. Frei Antônio Moser
Assessor da CNBB para assuntos de bioética
Há dois anos os debates relacionados com o que se denominou de anencefalia eram tantos e tão acesos, que pareciam traduzir o problema mais grave e mais urgente do Brasil. Melhor dito, criou-se uma sensação de que quase todos os "conceptos" eram anencéfalos e que se impunha uma medida urgente, urgentíssima para resolver o problema: autorizar o abortamento.

Depois, os debates relacionados com o uso de embriões congelados para fins terapêuticos e as sucessivas tentativas de liberar, pura e simplesmente, o abortamento colocou a questão da anencefalia no esquecimento. Agora, diante de um iminente pronunciamento do Supremo Tribunal Federal, a questão volta à tona com toda a força. Por isto mesmo, urge recolocar as verdadeiras questões.

Quando falamos em "anencefalia" não apenas nos encontramos diante de uma palavra difícil, como também diante de uma palavra que se presta a equívocos.
O equívoco da palavra fica evidenciado quando sugere que os fetos portadores de uma má formação no cérebro não teriam cérebro. Na realidade o que lhes falta é o fechamento do tubo neural. A palavra certa seria meroanencefalia.

Mas os maiores equívocos não se relacionam com a palavra, e sim com a maneira como vem sendo apresentada esta realidade. Embora devamos reconhecer que nos encontramos diante de um drama, é preciso logo observar que, ao contrário do que certos debates sugerem, o número de casos é relativamente pequeno. Uma estatística realizada pela Universidade de Minas Gerais cobrindo a década de 1990-2000 assinala que em 18.807 partos, constataram-se apenas 11 casos que nasceram vivos e 5 natimortos.

Uma segunda observação se faz necessária: considerando as estatísticas mundiais, nosso índice é alto, o que sugere que os casos de meroanencefalia, remetem para fatores múltiplos, inclusive ambientais. Entre estes fatores o mais importante é aquele que é mais facilmente contornável: ausência de ácido fólico.

Em terceiro lugar não podemos nos esquecer o sofrimento da mãe e dos parentes mais próximos. Eles precisam de todo o apoio possível, a nível médico, psicológico, religioso...

Um eventual abortamento só iria aumentar esse sofrimento. Por isso mesmo a pergunta é: "Por que a questão volta a entrar em pauta?" Não seria pelo interesse de aproveitar células e órgãos? Não seria para abrir as portas a todo e qualquer tipo de abortamento? Tudo isso dá o que pensar.

27.8.08

Ponto.

Mais um ponto

"O homem nasceu para aprender, aprender tanto quanto a vida lhe permita".

Guimarães Rosa

Por ora, uns poderiam dissertar bastantes linhas, esgotar todo labor cognitivo para tentar aproximar a ciência da arte; já outros dissertariam mais períodos e pensamentos acerca dessas duas partes universalmente singulares. Ou então, ambos serem irresponsavelmente imediatistas e atribuírem seus signifivados semânticos-culturais num rápido processo intelectual, desprezando qualquer ínfima reflexão. Basta a condição sine qua non humana para o agir científico e a percepção artística reagirem em um mesmo sistema antropológico. Lembrar as conjecturas de Descartes, ou as descrições filosóficas greco-romanas sobre simetria, medidas e modelos, ajudam-nos ir ao encontro da capacidade inata de o ser humano pensar e reproduzir, por figuras ou por letras, suas emoções e seus sentidos.

Como a orientação específica dos átomos, de moléculas em moléculas, cada olhos de visão, cada ponto-de-vista, revela-se numa magistral expressão solitária de sentimentos pessoais. Não tem jeito: a relação da ciência com a arte é, ao mesmo tempo, nenhuma e totalmente afim. Confuso? Não. Constituem definições dinamicamente conceituáveis, de acordo com a conjuntura, com o tempo, com o credo, com o gênero, com a raça e com diversos parâmetros instáveis ao sabor do caos cosmológico. Nota-se, dessa forma, que desenhando a linha que perpassa cada âmbito particular, tem-se o círculo da verdade: em que o centro pode ser comum, mas o raio depende da insconstante demografia em questão. Dois mais dois, além de implicar quatro, resultam também números quase infinitos de possibilidades de criar um ser humano – a matemática nem sempre é tão exata; parece mais uma mágica. No meio da ciência e da arte, há tropeços: a arte de aprender e a arte de ensinar – a pedra filosofal do caminho da existência.

Ponto: Entre a questão de ensinar ou de aprender, na vida, a melhor opção é viver. Parece ser redundância o último período grafado, mas representa o quão é inócuo posicionar-se diante das quase normas de condutas. O dinamismo dos fatos ou das circunstâncias faz com que esse tropeço etimológico seja um pilar em constantes transformações de pensamentos e de abordagens do processo de transmissão de conhecimento. Irão existir inúmeros defensores a dizerem que no ensinar há um dom artístico, quase mágico; enquanto, um não-menor número firmará posição na suma competência sócio-biológica de poder aprender sob a égide do determinismo natural. Cada ponto-de-vista especializa-se em se justificar, de preferência, em contraposição ao que se deseja combater; e, a partir daí, polarizam-se. Bem, de versões a versões, vão construindo-se verdades e mais verdades sobre o cimento dos fatos. E a arte? Essa está na maneira livre e espontânea de se associar a um dos pólos. Do nada, pode-se fazer o mundo – isso é arte.

Até o não-fazer poderá ser relevante no pleno processo de ensinar. No entanto, há aqueles que se dedicam à construção ativa do sujeito ávido pelo conteúdo a ser ensinado. Diversas teorias baseadas em bastantes modelos eficazes e em outros nem tanto, aliam-se ou confrontam-se com a sútil finalidade de transmitir as informações referenciais. Modelo de sala de aula em ambiente fechado, com normas e uniformes, giz e professores perante a assembléia disposta a sua frente, mostra-se vigente e ainda é eficaz nos dias de hoje. Pouco importa se um gosta ou não entende, a preocupação está na média: determina-se o quanto deverá saber de tudo que fora exposto. A apótema do dodecágono inscrito num certo círculo é tão fundamental quanto o conceito e as utilidades de uma função de primeiro grau. E a arte? Está na abstração da utilidade; na recompensa do final de ano, quando se é aprovado para cursar o próximo ciclo de aprendizado. A arte é a forma de como se entende; se vê e se adquire. Por outro lado, há os que acreditam na aquisição natural do aprendizado, respeitando assim, o tempo particular de cada desenvolvimento cognitivo. Para esses, o indivíduo é uma peça acabada. Será uma questão de horas para o sujeito perceber o seu mundo. Ensinar passa pelas mais energéticas atividades humanas: como dizer a um russo que um bom samba é dois pra lá, dois pra cá? Por mímica? Não sei. A vida imita a arte, mas o oposto...

É assim, dois pra cá, e as pernas soviéticas não acompanham com a mesma naturalidade. É a harmonia, o rítmo, o compasso e o enredo. São muitas variáveis e limitantes, para que a adequada forma de se tentar ensinar torne-se realmente eficiente. A maneira com a qual o russo apreenderá a mímica está intimamente associada à sua acumulação cultural: sua genética e seu ambiente social. Enfim, depende de sua arte de agir diante dos fatos e dos acontecimentos. Imaginar-se – É rima, é parte, é arte, é cada ponto-de-vista.

Na outra ponta do mister vínculo humano, há os tijolos do grande muro da ciência – a capacidade inata de aprender. Por diversas vias, vêm as informações: pelos olhos, pelos ouvidos, pelas mãos e até pelas narinas e pela boca. Aprender é sentir. E a arte? É o sentimento livre. Não se pode aprender sem sentir emoções; elas permitem o mergulho profundo nas águas do saber. A ciência já demonstrou por alguns ensaios de neurociência que pelo impacto das ações, pelo sentimento, a memória tão necessária para o aprendizado cristaliza-se na mente. É fácil testar tal assertiva, se imaginar, que, além dos cinco sentidos, a capacidade de associação dos fatos ou dos eventos permite resgatar aquilo uma vez já apreendido; seja pela leitura, pela escrita ou pela vivência. Se viver é sentir e aprender é sentir; nem ouse concluir o silogismo. Pronto. Aprender é isso. Uma lembrança; um conhecimento. Os detalhes, só quando interessam.

A uma flor, água, luz e terra. A uma criança, estímulo, atenção e carinho. Pode-se, dessa forma, parecer uma rasa simplificação; no entanto, é o método mais eficaz para levar ao ser em formação as ferramentas fundamentais para o seu construtivismo intelectual. Terão alguns com fortes discordâncias a respeito do método citado. Constrói pra cá, socializa-se pra lá, impõe-se de um jeito ou deixa acontecer, pois tudo que se precisa já vem pronto. Não importa. Nunca se deve esquecer, portanto, da finalidade: transmissão de forma mais agradável a informação. Se é útil, só o tempo e a oportunidade dirão. Cada ser é um universo singular, o qual caberão a ele necessidades especiais, com a atenção que merece. Enquanto o estímulo, vem da dinâmica instável do afluxo de conteúdos referenciais ou informais, capazes de prover sempre o crescimento pessoal; já o carinho, é a ponta mais complexa do processo. Com toda relevância dos sentidos, da lembrança, das emoções dos acontecimentos ou do impacto dos fatos, a maneira de se abordar, mostrando-se próximo e atento às dificuldades particulares, com todo carinho à disposição, é fundamental. Inicia-se lá pelos primórdios da comunicação, em que os pais, ou quem se dedica à criança, preocupam-se com o olhar, com o toque, com, de novo, a atenção; visto que são esses primorosos momentos que cada indivíduo sentir-se-á protegido, seguro de si e apto para aprender e logo ensinar; é como se fosse um repositório de segurança sendo completado, e, quando mais cheio, mais se consegue transmitir; quando se menos, por pouco tempo. Segurança permite ter força. Fornece poder. E dela se emana a faculdade do aprendizado ativo, aquele que, por interesse próprio, liberta os seres umbrais da terrível sombra da ignorância. Sem vontade, sem luz.

Até um computador pode ensinar, devido a sua alta capacidade de armazenagem de informações, fazendo a interface humana aprender; pois, pela arte dos sentidos, é que o lúcido entendimento é possível. Do contrário, é a ausência de substanciais indefinições da natureza humana, tais como: sentir, ter vontade, consciência; que faz do computador uma criatura estática, limitada com seu raciocínio binário. O que adianta garantir o pleno acesso às notícias e às informações, seja através da memória, seja da conexão entre computadores; se o que permite o rico espírito dinâmico e ávido pelo desenvolvimento pessoal é a ímpar função de sermos eternos na arte: tudo tem a sua duração; tudo se acaba; menos a vista de cada ponto, menos o ponto de cada vista, menos o ponto-de-vista de toda obra de arte. A arte expressa-se.

Pode-se, com isso, perceber que a arte permeia ambos os pilares. É a forma autônoma de estar vivo, além de possuir todas as funcionalidades vitais. Respirar é um mecanismo fisiológico; mas viver de maneira intensa e notável é algo unicamente humano. Toda e qualquer explicação acerca da arte de ensinar será insuficiente para se deixar inteligível a arte de aprender. São mais do que dois em um; mais do que mão e luva; mais do que importante ou prioriários; são artes. São expressões de cada vivência passada por um único ponto; ponto de vista na circunferência dos fatos e dos acontecimentos.