Afinal, o que é solidariedade? Para que serve?
Viver.
Melhor que uma resposta, a simples boa ação já atende a incitação; porém, num intenso taoísmo de valores, a relativização do bem e do mal aprofunda a questão em algumas releituras: a toda ação, equivale uma intenção forte e de sentido, muitas vezes, contrário. Mais do que de palavras, o conceito vem da forma, das faces dinâmicas dos relacionamentos. Poder-se-ia cogitar, então, que ser solidário é virtuoso. Ledo engano. Solidarizar é firmar-se cada vez mais; notabilizar-se. Não será preciso gastar mais linhas e letras para mostrar o caráter egocêntrico de tal ação. Antes mesmo de pensar em querer a paz, a união ou o bem-estar, o ato reflexo do sujeito agente é certificar-se de sua imagem e auto-imagem. Antes só do que...Não! Acompanhado para evidenciar as diferenças.
Exagero? Amargura?
Não.
Aos fatos: sabe-se, certamente, que viver nunca foi um gesto solitário. Todo e qualquer ser humano, seja direta ou indiretamente, só sobrevive com ou em função de algo ou de alguém. Ora, pelos padrões de imperfeições outrora definidos – como raiva, inveja, orgulho, dentre outros – tornou-se fundamental aparecer mais e bem. De outra maneira, seria o mesmo que dizer sobre a eminência dos mais aptos; daqueles que mais crescem, mostrando a força que têm – Darwinismo social. Feito uma rede com nós e ramos, o relacionamento humano, portanto, baseia-se na estabilidade e na fluência de contatos; quanto mais, melhor.
21.3.09
Voz calada
O tilintar das pedras
Primeiro-lugar do desafio da Bioquímica Médica - UFRJ
Afinal, o que é solidariedade? Para que serve?
Solidariedade quer dizer complementaridade, compartilhamento, ligação, dependência, reciprocidade. É a superação do individualismo, sem a anulação do indivíduo.
Antes de ser uma atitude desejável em uma sociedade civilizada, a solidariedade é o parâmetro mais profundo que define a individualidade humana como o resultado criativo da relação com outras individualidades.
O individualismo e a correria pela sobrevivência tornaram a humanidade uma grande sociedade anônima, onde as pessoas não se conhecem, onde os relacionamentos são superficiais e até mercantilistas. A busca pela solidariedade nos faz perceber nossas próprias limitações à medida que conhecemos o outro e suas necessidades. Quando entendemos a relação social como um processo de autoconhecimento e de aprendizado, incluímos o outro no nosso relacionamento, e o “eu” torna-se “nós”.
A solidariedade é a conquista de uma relação social que permite o desenvolvimento do potencial humano e dele depende. Ser solidário é ser humano. A solidariedade é a pré-condição para a troca de conhecimentos. É um processo de libertação social, de autoconhecimento coletivo. É uma qualidade que se aprende e se ensina nas mais variadas condições sociais e ambientes.
A solidariedade não serve apenas para ser praticada em grandes catástrofes, devemos exercitá-la no dia-a-dia: dentro de casa, no trabalho, nas relações interpessoais mais simples. Ela pode ser em forma de ajuda financeira; doação de alimentos, remédios, roupas, trabalho, conhecimento; um simples abraço. Podemos ver solidariedade entre ricos, entre pobres, médico e paciente, professor e aluno, pais e filhos, empregadores e empregados, povos e nações.
Somente através da prática da solidariedade poderemos contemplar a transformação dessa sociedade massificada, egoísta, agressiva e fragmentada em uma sociedade com mais amor, mais respeito, mais partilha. Uma sociedade menos conflituosa, onde a guerra possa dar lugar à paz. Então, deixaremos de ser uma sociedade anônima e nos tornaremos uma sociedade humana.
RENATA DE MORAES MACIEL DOS SANTOS
Segundo colocado
a)
Se tomarmos o termo solidariedade, a despeito do conceito de altruísmo
cristão, como uma “preocupação para com o outro” (sollicitudo, latim,
preocupação), poderemos entender que, ao partir do pressuposto básico de que
todo o homem social interage e interdepende de outros (eu apenas existo a
partir do outro, da visão do outro), a solidariedade serve, então, para
garantir a sobrevivência do humano, seja do ponto de vista ontológico ou
social.
Obrigada
Nathalia Varejão
b)
Solidariedade é comparecer ao Fundão em um domingo de sol para ajudar seu
colega de laboratório a carregar as caixas dos seus animais, somente por
ajudar mesmo, sem colaboração alguma com o seu projeto.
Solidariedade é fornecer suas culturas de células para alguém que perdeu
tudo e está com a defesa de mestrado ou doutorado marcada.
Solidariedade é encontrar um pesquisador faminto em um domingo no CCS e,
sem esperar nada em troca, oferecer seu pacote de biscoito que você trouxe
para agüentar o dia.
Solidariedade é passar uma noite em claro ajudando seu amigo a terminar um
pôster para um congresso no dia seguinte.
Solidariedade é parar o que você está fazendo e explicar como realizar um
experimento de maneira correta para um aluno desesperado com os resultados
obtidos.
Solidariedade é compartilhar com muita boa vontade equipamentos caros com
laboratórios “menos favorecidos financeiramente”.
Solidariedade é encontrar alguém do seu laboratório desesperado para
finalizar um artigo e você oferecer uma ajuda com as figuras e legendas.
Solidariedade é ouvir por vinte vezes a mesma apresentação somente para
fornecer uma platéia crítica a um amigo que está próximo de sua seleção de
doutorado.
E, principalmente, solidariedade é pagar umas boas cervejas para as
pessoas que conseguem defender suas monografias e teses, publicar seus
artigos e passar em concursos após tanto esforço e tantos pequenos gestos
solidários ao longo de sua carreira científica.
A solidariedade é fundamental em nosso meio de trabalho, e as dificuldades
que encontramos pelo caminho tornam-se mais fáceis de serem supoeradas,
além de contribuir para um ambiente de trabalho de muita alegria, muita
satisfação e, principalmente, muito orgulho de fazer parte desse grupo de
pesquisadores da UFRJ!
Patrícia Bado
c)
Solidariedade é uma virtude do ser humano que, em meio à tenta diferença,
enxerga similaridade. Beneficio que é antagônica a qualquer forma de preconceito.
A solidariedade não é pontual, não cabe em medidas tampouco aferições e o seu
produto é imensurável: o bem estar e a alegria alheia.
Para que serve?
Para percebermos que estamos no mesmo barco naufragável, onde todos importam
do convés a proa. Sendo assim, nossas atitudes e omissões contam.
Solidariedade é a ferramenta que nos redimensiona perante o universo, é a
oportunidade de nos colocarmos na posição do outrem. Mostra o privilégio de
sermos seres sociais e o melhor de tudo, a solidariedade nos faz promotores da
justiça.
No dia que aprendermos que no reflexo da vida todos somos iguais, até Narciso
será solidário.
Renato de Paulo
Afinal, o que é solidariedade? Para que serve?
Solidariedade quer dizer complementaridade, compartilhamento, ligação, dependência, reciprocidade. É a superação do individualismo, sem a anulação do indivíduo.
Antes de ser uma atitude desejável em uma sociedade civilizada, a solidariedade é o parâmetro mais profundo que define a individualidade humana como o resultado criativo da relação com outras individualidades.
O individualismo e a correria pela sobrevivência tornaram a humanidade uma grande sociedade anônima, onde as pessoas não se conhecem, onde os relacionamentos são superficiais e até mercantilistas. A busca pela solidariedade nos faz perceber nossas próprias limitações à medida que conhecemos o outro e suas necessidades. Quando entendemos a relação social como um processo de autoconhecimento e de aprendizado, incluímos o outro no nosso relacionamento, e o “eu” torna-se “nós”.
A solidariedade é a conquista de uma relação social que permite o desenvolvimento do potencial humano e dele depende. Ser solidário é ser humano. A solidariedade é a pré-condição para a troca de conhecimentos. É um processo de libertação social, de autoconhecimento coletivo. É uma qualidade que se aprende e se ensina nas mais variadas condições sociais e ambientes.
A solidariedade não serve apenas para ser praticada em grandes catástrofes, devemos exercitá-la no dia-a-dia: dentro de casa, no trabalho, nas relações interpessoais mais simples. Ela pode ser em forma de ajuda financeira; doação de alimentos, remédios, roupas, trabalho, conhecimento; um simples abraço. Podemos ver solidariedade entre ricos, entre pobres, médico e paciente, professor e aluno, pais e filhos, empregadores e empregados, povos e nações.
Somente através da prática da solidariedade poderemos contemplar a transformação dessa sociedade massificada, egoísta, agressiva e fragmentada em uma sociedade com mais amor, mais respeito, mais partilha. Uma sociedade menos conflituosa, onde a guerra possa dar lugar à paz. Então, deixaremos de ser uma sociedade anônima e nos tornaremos uma sociedade humana.
RENATA DE MORAES MACIEL DOS SANTOS
Segundo colocado
a)
Se tomarmos o termo solidariedade, a despeito do conceito de altruísmo
cristão, como uma “preocupação para com o outro” (sollicitudo, latim,
preocupação), poderemos entender que, ao partir do pressuposto básico de que
todo o homem social interage e interdepende de outros (eu apenas existo a
partir do outro, da visão do outro), a solidariedade serve, então, para
garantir a sobrevivência do humano, seja do ponto de vista ontológico ou
social.
Obrigada
Nathalia Varejão
b)
Solidariedade é comparecer ao Fundão em um domingo de sol para ajudar seu
colega de laboratório a carregar as caixas dos seus animais, somente por
ajudar mesmo, sem colaboração alguma com o seu projeto.
Solidariedade é fornecer suas culturas de células para alguém que perdeu
tudo e está com a defesa de mestrado ou doutorado marcada.
Solidariedade é encontrar um pesquisador faminto em um domingo no CCS e,
sem esperar nada em troca, oferecer seu pacote de biscoito que você trouxe
para agüentar o dia.
Solidariedade é passar uma noite em claro ajudando seu amigo a terminar um
pôster para um congresso no dia seguinte.
Solidariedade é parar o que você está fazendo e explicar como realizar um
experimento de maneira correta para um aluno desesperado com os resultados
obtidos.
Solidariedade é compartilhar com muita boa vontade equipamentos caros com
laboratórios “menos favorecidos financeiramente”.
Solidariedade é encontrar alguém do seu laboratório desesperado para
finalizar um artigo e você oferecer uma ajuda com as figuras e legendas.
Solidariedade é ouvir por vinte vezes a mesma apresentação somente para
fornecer uma platéia crítica a um amigo que está próximo de sua seleção de
doutorado.
E, principalmente, solidariedade é pagar umas boas cervejas para as
pessoas que conseguem defender suas monografias e teses, publicar seus
artigos e passar em concursos após tanto esforço e tantos pequenos gestos
solidários ao longo de sua carreira científica.
A solidariedade é fundamental em nosso meio de trabalho, e as dificuldades
que encontramos pelo caminho tornam-se mais fáceis de serem supoeradas,
além de contribuir para um ambiente de trabalho de muita alegria, muita
satisfação e, principalmente, muito orgulho de fazer parte desse grupo de
pesquisadores da UFRJ!
Patrícia Bado
c)
Solidariedade é uma virtude do ser humano que, em meio à tenta diferença,
enxerga similaridade. Beneficio que é antagônica a qualquer forma de preconceito.
A solidariedade não é pontual, não cabe em medidas tampouco aferições e o seu
produto é imensurável: o bem estar e a alegria alheia.
Para que serve?
Para percebermos que estamos no mesmo barco naufragável, onde todos importam
do convés a proa. Sendo assim, nossas atitudes e omissões contam.
Solidariedade é a ferramenta que nos redimensiona perante o universo, é a
oportunidade de nos colocarmos na posição do outrem. Mostra o privilégio de
sermos seres sociais e o melhor de tudo, a solidariedade nos faz promotores da
justiça.
No dia que aprendermos que no reflexo da vida todos somos iguais, até Narciso
será solidário.
Renato de Paulo
15.3.09
Comunidade acadêmica, uní-rio!
Palavras são apenas palavras. Nada que se escreve ou que se fala é capaz de mover um átomo sequer da vontade de ver um bem-comum melhor. Às vezes, parecem flores, mas são poesias; outras vezes, farpas; mas são puras grosserias. É chegada a hora para alguma coisa. Não sei o que é, porém há de ter a certeza de mudança.
Para começar, saber todas as negativas já é o começo. Não quero isso. Não quero aquilo. A vontade coletiva parte dos interesses pessoais e os interesses pessoais limitam-se pelo respeito aos ditames coletivos, garantindo o convívio ético das diferenças. Têm-se três, pelo menos, esferas de conflito: docente, discente e técnicos-administrativos. Cada uma delas possui suas prerrogativas, mas todas pertencem a um bem maior. Não interessa se é bom ou foi bom; e sim se para o convívio próximo houve mudanças, já lembradas noutro momento.
Depois, há também de não se esquecer que uma fase é composta por vários períodos, no dia à dia, de modo arrastadamente gradual. Se todos andassem com um diário, notas e mais notas seriam ao fim mais do que lembranças: seriam marcos de produtividade. Num momento em que se gasta tanto tempo e dinheiro para sensibilizar a todos da extrema concorrência, globalização, a produtividade torna-se o pilar mister do avanço institucional baseado no tripé - já clichê - ensino, pesquisa e extensão. A memória engana o povo. As lembranças são de quem as dominam por critérios de seleção.
E agora? Existem caminhos diversos e não sabemos do futuro. Ora, o mínimo é andar junto. Ter uma forte ressonância e convergência de interesses. Nesse caso, dá para vislumbrar também somente três: dos docentes, discentes e técnicos-administrativos. Escolher, com isso, se torna mais fácil de, na hora da assembleia, ideias serem confrontadas e, a partir daí, emergir uma síntese melhor possível. “Quem não discute, não tem direito de reclamar” é um dos ditados mais falados por meu avô.
A sabedoria vem de longe e não precisa estar numa universidade para tê-la. A roda já foi inventada e o que se faz é criar mais efeitos para a sua função. Está tudo pronto em nossa universidade, só faltam mais efeitos de luz, câmera e ação, porque brilho próprio ela possui. Cada membro desta honrosa Universidade ilumina mais do que seus corredores; mais do que suas salas; leva luz ao mundo em que se vive com suas geniais e peculiares contribuições. Somos a roda. E queremos um merecido designer de reconhecimento e não uma carcaça velha de museu que nos impuseram.
As idéias são as mesmas e a luta continua. Queremos melhores condições de trabalho. Queremos capacitação profissional. Queremos difundir conhecimento. Queremos uma só paixão. Somos Unirio. Somos um corpo com vários membros, que, sem um deles, sentimos uma imensa falta.
É a hora! Independente de qual for o resultado, deve-se levar para sempre a lição de fazer de uma fase (gestão administrativa), uma caminhada, onde as lembranças ficam no papel e a memória no presente de quem faz a História acontecer. Todo ponto-de-vista converge-se sob o mesmo raio para um centro. Plural, mas soberano. Diverso, mas único. Coerente, mas paradoxal como qualquer desfecho que nunca acaba.
Para começar, saber todas as negativas já é o começo. Não quero isso. Não quero aquilo. A vontade coletiva parte dos interesses pessoais e os interesses pessoais limitam-se pelo respeito aos ditames coletivos, garantindo o convívio ético das diferenças. Têm-se três, pelo menos, esferas de conflito: docente, discente e técnicos-administrativos. Cada uma delas possui suas prerrogativas, mas todas pertencem a um bem maior. Não interessa se é bom ou foi bom; e sim se para o convívio próximo houve mudanças, já lembradas noutro momento.
Depois, há também de não se esquecer que uma fase é composta por vários períodos, no dia à dia, de modo arrastadamente gradual. Se todos andassem com um diário, notas e mais notas seriam ao fim mais do que lembranças: seriam marcos de produtividade. Num momento em que se gasta tanto tempo e dinheiro para sensibilizar a todos da extrema concorrência, globalização, a produtividade torna-se o pilar mister do avanço institucional baseado no tripé - já clichê - ensino, pesquisa e extensão. A memória engana o povo. As lembranças são de quem as dominam por critérios de seleção.
E agora? Existem caminhos diversos e não sabemos do futuro. Ora, o mínimo é andar junto. Ter uma forte ressonância e convergência de interesses. Nesse caso, dá para vislumbrar também somente três: dos docentes, discentes e técnicos-administrativos. Escolher, com isso, se torna mais fácil de, na hora da assembleia, ideias serem confrontadas e, a partir daí, emergir uma síntese melhor possível. “Quem não discute, não tem direito de reclamar” é um dos ditados mais falados por meu avô.
A sabedoria vem de longe e não precisa estar numa universidade para tê-la. A roda já foi inventada e o que se faz é criar mais efeitos para a sua função. Está tudo pronto em nossa universidade, só faltam mais efeitos de luz, câmera e ação, porque brilho próprio ela possui. Cada membro desta honrosa Universidade ilumina mais do que seus corredores; mais do que suas salas; leva luz ao mundo em que se vive com suas geniais e peculiares contribuições. Somos a roda. E queremos um merecido designer de reconhecimento e não uma carcaça velha de museu que nos impuseram.
As idéias são as mesmas e a luta continua. Queremos melhores condições de trabalho. Queremos capacitação profissional. Queremos difundir conhecimento. Queremos uma só paixão. Somos Unirio. Somos um corpo com vários membros, que, sem um deles, sentimos uma imensa falta.
É a hora! Independente de qual for o resultado, deve-se levar para sempre a lição de fazer de uma fase (gestão administrativa), uma caminhada, onde as lembranças ficam no papel e a memória no presente de quem faz a História acontecer. Todo ponto-de-vista converge-se sob o mesmo raio para um centro. Plural, mas soberano. Diverso, mas único. Coerente, mas paradoxal como qualquer desfecho que nunca acaba.
4.3.09
História passando...
Poderá parecer piegas ou dispensável, mas diante do fato de que, estranhamente, um presidente negro veio a ocupar o cargo mais cobiçado do planeta, permite, ao menos, indagar. Quem é, politicamente, Barack Obama? Por que não Hillary? Ou Al Gore? Evolução natural do interesse político ou um tímido interesse dos "grandes donos" da informação? Não sei. Obama! Viva, o novo presidente! Aclamações surpreendentes, como por uma espera do messias, para a dúvida do momento. Não acredito em acaso na politica, muito menos, em um milagre eleitoreiro. Um povo, onde o voto é facultativo, depois de ter confiado dois mandatos bushianos, resolve comparecer quantidade recorde e mudar o rumo de uma estória, estória até muito bem contada pelos neoliberais de plantão.
Por outro lado, no quintal estadunidense, cresceu o número de líderes heterodoxos aos planos do grande Sam. A influência não é mais a mesma. O foco é para o lado das mil e uma noites; ou melhor, já são mais de cinco anos de ocupação do Iraque. Esquerdistas ou não, a verdade é que a política internacional sobre os latinos não é como já foi. De uma maneira geral, era o Clinton, FHC, Fujimori, Menem e mais alguns que rezavam a mesma cartilha. Depois, Lula, Chávez, Evo e mais meia-dúzia com cara de povo. Ora, acaso? Nem pensar. Há um jogo bem mais interessante que aos olhos da contemporaneidade não podemos compreender.
Ou não?
1.3.09
Bom dia, crise!
Pela madrugada, ar e queda livre das
pálpebras
pensamentos voando
e nada mais.
Depois de quase um mês, pedras voltam a ser arremessadas:
pedras brutas
pedras lascadas
pedras polidas
pedras sobre pedras.
Pedra Barack no sapato
no caminho contrário;
Pedras sambando, pra lá
sambando, pra cá
pedras.
Em meio à crise, carnaval
tudo vai passar pela avenida
nos bailes dos mascarados:
pierrot vestindo arlequim;
colombina à frente da bateria
O otimismo é a esperança cega:
longe da realidade;
imune aos fatos;
perto de peles secas, de bocas vazias e de corpos esquálidos.
pálpebras
pensamentos voando
e nada mais.
Depois de quase um mês, pedras voltam a ser arremessadas:
pedras brutas
pedras lascadas
pedras polidas
pedras sobre pedras.
Pedra Barack no sapato
no caminho contrário;
Pedras sambando, pra lá
sambando, pra cá
pedras.
Em meio à crise, carnaval
tudo vai passar pela avenida
nos bailes dos mascarados:
pierrot vestindo arlequim;
colombina à frente da bateria
O otimismo é a esperança cega:
longe da realidade;
imune aos fatos;
perto de peles secas, de bocas vazias e de corpos esquálidos.
4.2.09
Sapo Barbudo Messias do Nascimento de Oliveiras e Silvas
O país sabe e o povo manda. Nunca visto antes um recorde, para um membro da plebe, tão histórico quanto legítimo. Entende-se, com isso, que a parcela que detém o capital, os meios de produção, está exatamente diametralmente oposta àqueles que viviam à míngua, desesperados, em bando. Um bando majoritário. Um bando de vidas secas.
É a real representatividade da vontade do povo. A Matemática, com seus instrumentos Estatísticos, valida idoneamente o pleno desejo geral da nação. É Ciência! É verdade! Oitenta e quatro porcento feliz; oitenta e quatro porcento representados. A isso me alude um belíssima letra e música: "(...) Por isso eu pergunto/À você no mundo/Se é mais inteligente/O livro ou a sabedoria (...)" .
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009, 11:07
Aprovação a Lula sobe a 84% e bate novo recorde
BRASÍLIA - As avaliações positivas do governo e a aprovação pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atingiram, em janeiro, níveis recordes na série histórica da pesquisa CNT/Sensus, divulgada nesta terça-feira, 3. A despeito dos sinais de impacto da crise financeira internacional sobre a economia doméstica, a avaliação positiva do governo subiu de 71,1%, em dezembro, para 72,5% em janeiro. Este é o maior índice da série histórica, superando os 83,6% obtido pelo próprio Lula em janeiro de 2003.
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,aprovacao-a-lula-sobe-a-84-e-bate-novo-recorde,317513,0.htm
É a real representatividade da vontade do povo. A Matemática, com seus instrumentos Estatísticos, valida idoneamente o pleno desejo geral da nação. É Ciência! É verdade! Oitenta e quatro porcento feliz; oitenta e quatro porcento representados. A isso me alude um belíssima letra e música: "(...) Por isso eu pergunto/À você no mundo/Se é mais inteligente/O livro ou a sabedoria (...)" .
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009, 11:07
Aprovação a Lula sobe a 84% e bate novo recorde
BRASÍLIA - As avaliações positivas do governo e a aprovação pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atingiram, em janeiro, níveis recordes na série histórica da pesquisa CNT/Sensus, divulgada nesta terça-feira, 3. A despeito dos sinais de impacto da crise financeira internacional sobre a economia doméstica, a avaliação positiva do governo subiu de 71,1%, em dezembro, para 72,5% em janeiro. Este é o maior índice da série histórica, superando os 83,6% obtido pelo próprio Lula em janeiro de 2003.
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,aprovacao-a-lula-sobe-a-84-e-bate-novo-recorde,317513,0.htm
22.12.08
Ressignificação
Há um aperto, força constrictora de amargura
que ninguém sabe de onde vem
e nem como surge
uma força muda, sem igual intensidade
com choros, com sofrimentos
singulares
a tal força torce, retorce por dentro
rangendo dentes, sardonicamente,
impura de emoções menores, baixa
aos nossos desafetos
que ninguém sabe de onde vem
e nem como surge
uma força muda, sem igual intensidade
com choros, com sofrimentos
singulares
a tal força torce, retorce por dentro
rangendo dentes, sardonicamente,
impura de emoções menores, baixa
aos nossos desafetos
21.12.08
Aos vencedores, os sapatos.
Num rápido e desprovido posicionamento acerca dos sapatos em direção a um chefe-de-estado, poderá corresponder legitimamente esse ato heróico à justiça. Porém, há de ter cuidado com as consequências. Se a revolta e a manifestação contra o subjugo imperialista, conforme atestam, foram traduzidas de forma violenta, lançando um objeto, com intuito de acertar, ao desafeto; o ato nada mais foi que o exemplo ratificado da vingança - sentimento até espontâneo e legítimo. Ora, pagar, com a mesma moeda o preço alto da dominação, é dar um tiro no próprio pé, já que mostra a todos o despreparo de se tratar assuntos de maneira politicamente correta, democrática. Numa vez, acerta-se o sapato; na outra, como não aceitar o genocídio dos homens-bomba? Tudo pela causa? Pelas mortes de inocentes? Pelos choros dos órfãos? A arma dos fortes é a mente perspicaz.
A simbologia de um sapato
Por Lejeune Mirhan
Por Lejeune Mirhan
Al Zaide é jovem mesmo. Tem apenas 29 anos. Foi, ainda sob o governo de Saddam Hussein, presidente de uma entidade estudantil. Segundo a emissora Al Jazeera, é membro do partido Comunista Iraquiano. Tem muitos irmãos e alguns deles mortos em combate na resistência contra a ocupação do Iraque por tropas estrangeiras desde 2003. Zaide é jornalista da emissora de TV Al Baghdadiya (cuja central fica no Cairo). Todas as reportagens da TV que ele faz na cidade de Bagdá ele conclui, dizendo, "da Bagdá ocupada". A própria emissora que o emprega exigiu a sua imediata libertação, assim como o Sindicato dos Jornalistas do Iraque.
Al Zaide virou instantaneamente um herói nacional. E usou a sua arma mais potente, tanto física como simbólica: seus sapatos de sola de borracha pesados. Foi ficando cada vez mais irritado com a entrevista coletiva que Bush vinha dando, com suas mentiras habituais, ao lado do primeiro Ministro fantoche do Iraque, Nuri Al Maliki. Num determinado momento, decidiu arremessar os seus dois sapatos contra Bush. A catatonia dos presentes e mesmo da segurança presidencial foi tamanha, que ele conseguiu inclusive tempo para atirar o segundo sapato.
A frase que ele proferiu, gravada ao vivo por todas as emissoras presentes foi: "É o seu beijo de despedida do povo iraquiano, seu cachorro. Isso é pelas viúvas, órfãos e pelos que foram mortos no Iraque". E não precisava dizer mais nada. Al Zaide mostrava-se ao mundo como o vingador dos mais de 200 mil iraquianos mortos, representava o sentimento de uma nação destruída, desmontada, aviltada, vendida, entregue à sanha imperialista e com quase toda a sua infra-estrutura
destruída e vendida ao setor privado (doadas, na verdade).
Sua fama foi instantânea. Foi saudado no mundo inteiro. Passeatas saíram às ruas para exigir a sua imediata libertação. Circulou a informação de que um
empresário saudita estaria oferecendo dez milhões de dólares por um dos sapatos que for am arremessados contra Bush. A foto de Al Zaide não saia de todas as TVs árabes e os jornais americanos publicaram o sapato "voador" passando rente à cabeça de Bush. Claro, os americanos procuraram minimizar o fato, dizendo que o mesmo não tinha importância alguma e que o jornalista não agiu em nome de nenhuma organização e não expressava a vontade do povo. Pura balela. Só se falava do ato de bravura praticado por um árabe contra o chefe do império mais odiado da história.
Os policiais que o prenderam, o espancaram brutalmente. Seu irmão, Maitham Al Zaide, afirma que diversas de suas costelas foram quebradas e seu olho foi atingido por coronhadas de fuzil. Continua preso sem que nenhuma acusação lhe tenha sido feita e que nenhum comunicado tivesse sido enviado formalmente à justiça por sua detenção. Fala-se que poderia pegar de sete até quinze anos de cadeia por ter tentado agredir chefe de estado estrangeiro em visita ao Iraque.
Imediatamente, uma rede de advogados formou-se para defendê-lo e exigir a sua libertação. A imprensa noticiou mais de cem advogados dispostos a prestar seus serviços gratuitamente para que ele possa ser libertado. O chefe da defesa de Saddam Hussein, Dr. Jalil Al Duleimi, será o provável defensor central de Al Zaide. Ainda continua sem nenhum contato tanto com seus familiares, como amigos e advogados, num claro desrespeito às tais normas mínimas de direitos humanos que os Estados Unidos tanto, e hipocritamente, pregam pelo mundo afora sem respeitá-las em lugar nenhum onde têm hegemonia.
* Artigo originalmente publicado no site http://www.vermelho.org.br/. Clique aqui e leia na íntegra o texto, incluindo a segunda parte, A simbologia do sapato
Lejeune Mirhan, sociólogo da Fundação Unesp, arabista e professor. Presidente do Sindicato dos Sociólogos, membro da Academia de Altos Estudos Ibero-árabe de Lisboa e da International Sociological Association.
18.12.08
Horas atrasadas
Não é só impressão; muito menos, relativo. O tempo mudou. Se algum de nossos avós já nos disse que o tempo está custando a passar; mas uma vez os cabelos brancos e as dezenas de primaveras têm razão.
Novos tempos; tempos modernos. O momento, mais do que nunca, é aproveitar as circunstâncias de maior satisfação. O tempo, deleite-se.
Bom proveito!
Qui, 18 Dez, 09h28
Londres, 18 dez (EFE).- O último minuto de 2008 terá 61 segundos para corrigir uma pequena anomalia entre os relógios atômicos e o tempo astronômico, baseado na rotação da Terra. Essa intervenção já foi feita 23 vezes, em intervalos que variaram de seis meses a sete anos. O último segundo extra foi adicionado em 31 de dezembro de 2005 -- três anos atrás.
Tudo surgiu quando a Terra passou a fazer o movimento de rotação mais lentamente. Com isto, o dia passou a ter um tempo maior. E os segundos, baseados nas 24 horas do dia perdeu a medida. Portanto, agora os segundos passam a ser contados de acordo com a velocidade de rotação do planeta.
Os segundos intercalares são usados para manter alinhado o Tempo Universal Coordenado (UTC) com as escalares astronômicas variáveis GMT e Hora Universal (UCI).Entretanto, a União Internacional de Telecomunicações propôs abolir estes segundos intercalares e acrescentar em troca uma hora a cada 600 anos aproximadamente, informa o semanário "New Scientist".
Isto teria repercussões importantes para o Reino Unido, pois a hora referida ao meridiano de Greenwich (GMT) perderia seu atual status internacional como a região na qual a hora local coincide com a hora universal por meio da qual se acertam todos os relógios.
Esta zona de hora ou tempo universal iria se deslocando para o leste em direção a Paris durante centenas de anos antes de voltar outra vez para Greenwich, localidade próxima a Londres.A mudança proposta significaria também que, pela primeira vez, a hora oficial não estaria vinculada à rotação astronômica da Terra.
Em vez de segundos, minutos e horas serem reguladas pelo tempo de rotação da Terra, seriam medidos exclusivamente pelas oscilações de átomos de césio.
"Esta mudança teria profundas implicações culturais", afirma Robert Massey, da Royal Astronomical Society.Também teria implicações para os astrônomos, que teriam que modificar o software operacional de seus telescópios.
http://br.noticias.yahoo.com/s/18122008/40/saude-ultimo-minuto-2008-tera-61.html
Novos tempos; tempos modernos. O momento, mais do que nunca, é aproveitar as circunstâncias de maior satisfação. O tempo, deleite-se.
Bom proveito!
Qui, 18 Dez, 09h28
Londres, 18 dez (EFE).- O último minuto de 2008 terá 61 segundos para corrigir uma pequena anomalia entre os relógios atômicos e o tempo astronômico, baseado na rotação da Terra. Essa intervenção já foi feita 23 vezes, em intervalos que variaram de seis meses a sete anos. O último segundo extra foi adicionado em 31 de dezembro de 2005 -- três anos atrás.
Tudo surgiu quando a Terra passou a fazer o movimento de rotação mais lentamente. Com isto, o dia passou a ter um tempo maior. E os segundos, baseados nas 24 horas do dia perdeu a medida. Portanto, agora os segundos passam a ser contados de acordo com a velocidade de rotação do planeta.
Os segundos intercalares são usados para manter alinhado o Tempo Universal Coordenado (UTC) com as escalares astronômicas variáveis GMT e Hora Universal (UCI).Entretanto, a União Internacional de Telecomunicações propôs abolir estes segundos intercalares e acrescentar em troca uma hora a cada 600 anos aproximadamente, informa o semanário "New Scientist".
Isto teria repercussões importantes para o Reino Unido, pois a hora referida ao meridiano de Greenwich (GMT) perderia seu atual status internacional como a região na qual a hora local coincide com a hora universal por meio da qual se acertam todos os relógios.
Esta zona de hora ou tempo universal iria se deslocando para o leste em direção a Paris durante centenas de anos antes de voltar outra vez para Greenwich, localidade próxima a Londres.A mudança proposta significaria também que, pela primeira vez, a hora oficial não estaria vinculada à rotação astronômica da Terra.
Em vez de segundos, minutos e horas serem reguladas pelo tempo de rotação da Terra, seriam medidos exclusivamente pelas oscilações de átomos de césio.
"Esta mudança teria profundas implicações culturais", afirma Robert Massey, da Royal Astronomical Society.Também teria implicações para os astrônomos, que teriam que modificar o software operacional de seus telescópios.
http://br.noticias.yahoo.com/s/18122008/40/saude-ultimo-minuto-2008-tera-61.html
16.12.08
Aconteceu...
Sutilezas essenciais
Chove. A alguns metros de um novo mundo, aproximam-se dedos e chapéus. Já marcavam mais de dez horas da manhã de terça-feira, quando um jovem esguio foi a um espetáculo. Peles oleosas, peles secas, com ou sem pêlos, e muitas outras formas volumétricas marcavam o ambiente. Um som forte, longe ou molhado perfazia o cenário, que, ao mesmo tempo, era de muito brilho e de emoções. Aplausos. Silêncio das descrições. Descendo as escadas, nenhum sentido fazia sentido. Pés em todas as direções e o caminho sendo feito por um compasso firme, com tropeços e enganos.
Pé ante pé. Os dedos tocam a parede: imediatamente, o corpo é transpassado pelos centímetros de concreto até a Ilha de Manhattan. Sobe ou desce? Up or down? O Brasil continuava ali, mas os dedos guiavam para longe. Tal qual a força de um pensamento, a vontade de tempos idos movia os quirodáctilos para o inusitado desconhecido. Nem a Física supunha essa bizarra possiblidade de um corpo ocupar dois espaços tão distintos;
muito menos permite a máxima de dois corpos ocuparem o mesmo espaço. A aldeia onde moro é mais universal que as leis da gravitação; a escrita, nem tanto.
Passados trinta segundos, a Terra gira e o suporte das falanges metacarpianas retorna ao ponto de partida, com a porta do elevador aberta, com volumes e a falta de volumes habituais à sua vida em destaque. O que mais importa é a diferença - seja diferente.
Chove. A alguns metros de um novo mundo, aproximam-se dedos e chapéus. Já marcavam mais de dez horas da manhã de terça-feira, quando um jovem esguio foi a um espetáculo. Peles oleosas, peles secas, com ou sem pêlos, e muitas outras formas volumétricas marcavam o ambiente. Um som forte, longe ou molhado perfazia o cenário, que, ao mesmo tempo, era de muito brilho e de emoções. Aplausos. Silêncio das descrições. Descendo as escadas, nenhum sentido fazia sentido. Pés em todas as direções e o caminho sendo feito por um compasso firme, com tropeços e enganos.
Pé ante pé. Os dedos tocam a parede: imediatamente, o corpo é transpassado pelos centímetros de concreto até a Ilha de Manhattan. Sobe ou desce? Up or down? O Brasil continuava ali, mas os dedos guiavam para longe. Tal qual a força de um pensamento, a vontade de tempos idos movia os quirodáctilos para o inusitado desconhecido. Nem a Física supunha essa bizarra possiblidade de um corpo ocupar dois espaços tão distintos;
muito menos permite a máxima de dois corpos ocuparem o mesmo espaço. A aldeia onde moro é mais universal que as leis da gravitação; a escrita, nem tanto.
Passados trinta segundos, a Terra gira e o suporte das falanges metacarpianas retorna ao ponto de partida, com a porta do elevador aberta, com volumes e a falta de volumes habituais à sua vida em destaque. O que mais importa é a diferença - seja diferente.
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